Um dia de cada vez

Ana Paula Tabalipa convive com a depressão há 27 anos e não sabe como está viva

Atriz e apresentadora tinha certeza que morreria aos 28 anos

Cíntia Lima
Colunista do EM OFF

Ana Paula Tabalipa abriu o coração ao falar da doença que atinge milhares de pessoas pelo mundo e jamais pode ser negligenciada, a depressão. A atriz e apresentadora contou que foi diagnosticada com a doença há pelo menos 27 anos e não sabe como está viva.

Convidada do Podcast Lá no Pod, Ana Paula relata que ao ser diagnosticada com a doença, se tratou de forma errada, muito mal. “Eu me tratei muito mal. Não sei como estou viva. Eu nunca me achei linda. Não tenho nem espelho em casa. Me cobro muito, me trato muito mal e estou tentando melhorar isso em mim”.

Mãe de 4 filhos, a artista sempre acreditou que morreria aos 28 anos de idade, e isso fez com que vivesse muito intensamente. “Quando chegou perto do meu vigésimo oitavo aniversário, fiz uma carta de despedida para os meus filhos, dizendo que os amava e que queria que fossem amigos, mesmo sendo de pais diferentes”.

A convicção de que morreria nesta idade era gigantesca. Ela conta que a crença começou quando tinha sete anos, porque uma pessoa leu sua mão em uma festa e teve uma reação curiosa ao analisar sua linha da vida. “Eu achava que ia morrer mesmo. Sei lá do que. Mais tarde, eu cheguei a quase me matar. Isso porque quando eu era bem pequena, fui num churrasco com meus pais e uma pessoa pegou para ler a minha mão. Essa pessoa viu um corte e falou alguma coisa no ouvido da minha mãe, que começou a chorar compulsivamente e nunca me contou. Aquilo ficou marcado na minha cabeça”. Mais tarde, a mãe de Ana Paula contou que a pessoa mencionou um acidente ocorrido com ela quando criança.

Ana Paula foi diagnosticada com depressão aos 16 anos, confessa que já fez uso de drogas em períodos difíceis, foi também diagnosticada com síndrome do stress pós traumático e detalha: “É uma depressão ocasionada por um episódio da minha vida que eu ainda não estou preparada para falar. Mas um dia falarei! Então existem gatilhos, que eu ainda não identifiquei todos, que me fazem voltar neste lugar”.

Ana Paula sabe que não será curada da depressão. “Eu tenho a depressão. Tem dias que eu não atendo ninguém e as minhas amigas mais íntimas já sabem que não é nada pessoal. Eu estou querendo morrer. Hoje aprendi a ter um propósito por dia. Estou me mudando para o interior para ter qualidade de vida, para uma cidade que não tem nem semáforo, onde todo mundo se conhece. Fiquei quatro dias por lá e nesse tempo matriculei a criança, aluguei uma casa e não tomei rivotril nenhuma vez. Ao mesmo tempo, vou morar a primeira vez sem todos os meus filhos, o que me causa uma aflição. É difícil”