Cabe recurso

Caso boate Kiss: Justiça anula júri que condenou quatro réus por incêndio

Tragédia aconteceu em 2013 e deixou 242 mortos

Cíntia Lima
Colunista do EM OFF

A primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) acolheu parte dos recursos da defesa e anulou o júri que condenou os quatro réus do caso da boate Kiss. Dessa forma, um novo júri deve ser marcado. Cabe recurso da decisão.

O julgamento terminou com placar de dois votos a um para reconhecer a anulação do júri. Os advogados dos quatro presos alegaram nulidades no processo e no júri realizado entre os dias 01 e 10 de dezembro de 2021 no Foro Central. Entre as alegações da defesa, estava o fato de que o juiz teria agido de forma parcial no júri, de que teria havido excesso de linguagem e quebra da paridade de armas entre acusação e defesa no uso da maquete digital pelo Ministério Público.

O Ministério Público lamentou o resultado da sessão e se disse “inconformado, pois confia na legalidade do processo e já trabalha para reverter a decisão”.

O alvará de soltura dos presos foi expedido momentos depois da decisão. Elissandro Spohr foi condenado a 22 anos e seis meses de prisão e apontado como o responsável pelas decisões diretas na administração da casa noturna. O outro sócio da boate Kiss, Mauro Londero Hoffmann recebeu pena de 19 anos e seis meses de prisão, dada a sua atuação menos intensa. O músico Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira recebeu a pena de 18 anos de prisão por ter manipulado o artefato pirotécnico que serviu de ignição ao fogo na boate e o último condenado é Luciano Bonilha Leão, condenado a 18 anos de prisão por ser o responsável pela aquisição do artefato que iniciou o incêndio.

O incêndio da boate Kiss aconteceu em 2013 e matou 242 pessoas.