Beijo do Gordo

O Brasil se despede de Jô Soares, uma das figuras mais marcantes da TV brasileira

Jô Soares morre aos 84 anos e deixa um legado digno de inspiração

Cíntia Lima
Colunista do EM OFF

Jô Soares morreu na madrugada desta sexta-feira, no Hospital Sírio Libanês em São Paulo. O humorista, apresentador e responsável por entrevistas e personagens inesquecíveis ao longo da carreira, morreu aos 84 anos e a confirmação veio de sua ex-mulher Flávia Pedras Soares. A causa da morte ainda não foi divulgada.

José Eugênio Soares, nasceu no Rio de Janeiro em 1938. Filho único de uma família rica que perdeu a fortuna. Estudou na Suíça, Estados Unidos, falava seis línguas e foi um dos grandes nomes da nossa cultura. Deixou sua marca e um legado digno de muita inspiração e aplausos no teatro, cinema, televisão, além de ter sido um exímio dramaturgo, roteirista, diretor e escritor.

Indiscutivelmente uma das maiores personalidades do país. O humor sempre foi sua marca. Considerado pioneiro do stand-up, tornou-se também inesquecível ao se destacar como um dos maiores comediantes do Brasil, participando de atrações que fizeram história na TV, como ”A Família Trapo” (1966), “Planeta dos Homens” (1977) e “Viva o Gordo” (1981). Além disso, escreveu livros e atuou em 22 filmes.

Na TV, o “Jô Soares Onze e Meia” ficou no ar no SBT de 1988 até 1999. Em 2000, na TV Globo, apresentou o “Programa do Jô” até 2016. A frente dos dois programas, Jô Soares realizou entrevistas inesquecíveis e pôde presentear o público com muita informação e o bom humor tão peculiar em toda sua trajetória.

Para muitos artistas, de vários segmentos, dos mais conhecidos aos iniciantes, passar pelo programa do Jô sempre foi um divisor de águas e sinal de prestígio.

Em várias entrevistas, Jô admitiu ser vaidoso e exibido. Orgulhoso de sua profissão, nasceu querendo seduzir o mundo, e conseguiu.

Em 2012, falou ao Fantástico sobre a morte com bom humor. “O medo da morte é um sentimento inútil: Você vai morrer mesmo, não adianta ficar com medo. Eu tenho medo de não ser produtivo. Citando meu amigo Chico Anysio, uma vez perguntaram para ele: ‘Você tem medo de morrer?’. Ele falou: ‘Não. Eu tenho pena’, impecável.”

Jô Soares vem recebendo nesta sexta-feira, incontáveis homenagens e por mais que várias passagens de sua vida sejam lembradas, ainda parece pouco diante da grandiosidade e dedicação tão evidentes ao longo de sua vida. Falar de Jô Soares, é falar de talento, capacidade, dom, é falar do artista completo que nunca se limitou a fazer o óbvio e agora, mesmo diante de sua partida e descanso merecido, servirá como fonte de inspiração e comprometimento a qualquer um que queira deixar sua história inesquecível.