Investigação

Polícia investiga morte de mulher durante o show de Luísa Sonza

Família clama por justiça e alega negligência no atendimento

Cíntia Lima
Colunista do EM OFF

O que era para ser uma noite de diversão e alegria entre amigos, terminou da pior maneira possível para a veterinária Alice de Morais, de 27 anos. A jovem passou mal durante o show de Luísa Sonza em Porto Alegre no último sábado, foi atendida pela empresa responsável pela ambulância que prestava serviço de emergência e infelizmente veio a óbito.

A família de Alice reclama de negligência e a polícia civil investiga a morte da veterinária que aconteceu durante a apresentação da cantora e causa da morte só será apontada após uma perícia no corpo, que pode levar 30 dias para ser concluída.

Segundo o delegado Alexandre Vieira, jovem tinha histórico cardíaco. “Quando chegaram os médicos, Samu, quarenta minutos após ela veio a entrar em óbito. Tinha um histórico cardíaco. A informação que eu tenho que ela só tinha ingerido uma cerveja, então tudo isso nós vamos apurar”.

Segundo o G1, a Opinião Produtora, que realizava o show, afirmou que seguiu todos os protocolos e exigências recomendados a qualquer evento de grande porte. A empresa responsável pela ambulância, declarou que a paciente recebeu todo o atendimento e assistência possível para a ocasião. Todos os protocolos foram seguidos, menos a remoção da paciente, porque ela faleceu durante o descolamento do Samu.

“Importante destacar que as empresas privadas necessitam de uma interação com a SAMU para efetuar a remoção de qualquer paciente”.

Com pouco mais de 30 minutos após o início do show, Alice informou à amiga Camila Rodrigues que iria ao banheiro. Porém, segundo Camila, enviou uma mensagem pelo celular à 1h59 dizendo que tinha passado mal e estava na ambulância. “Eu fui correndo para a ambulância e encontrei ela lá, desacordada, sentada ao lado da ambulância em uma cadeira branca, deitada. Eu questionei à enfermeira como que ela tinha chegado ali, e a enfermeira me relatou que ela própria, a enfermeira, tinha escrito a mensagem. Eu perguntei o que tinha acontecido, como que ela tinha chegado ali, e eles me falaram que tinham encontrado ela desacordada no banheiro”.

Camila reclama de negligência no atendimento. “A gente foi muito maltratada nas três horas que a gente teve ali, clamando socorro pela Alice. Eu comecei a questionar o que eles tinham feito, se eles tinham dado alguma medicação, se eles tinham dado água, e ela disse que eles não poderiam ajudar, não poderiam atender ela e me orientaram a chamar um Uber”.

A irmã da veterinária, Andreia Moraes, que também estava no show, fala do atendimento. “Não estava sendo atendida, não estava com acesso [para receber medicamento], não tinha tomado qualquer tipo de medicação, não estava sendo monitorada de nenhuma forma. Eu questionei à profissional se tinham dado alguma medicação, se tinham visto [os] sinais vitais. Ela disse que não seria necessário, que eles não podiam dar medicação, porque ela era ex-bariátrica, que a gente tinha que tirar ela dali porque ela já tava há muito tempo. Só precisava ir para casa dormir”.

Andreia percebeu a perda de sinais vitais de irmã e chamou outra vez a equipe médica. “Ela já estava roxa, a boca roxa, já não tinha nenhum tipo de resposta, e eles me tiraram de dentro da ambulância para começar as manobras de ressuscitação. Depois, sei lá, uma meia-hora, chegaram duas ambulâncias: uma da mesma empresa e outra do Samu. Já tinha chegado polícia, enfim, mas ela já tinha ido a óbito”.

O delegado responsável diz que é prematuro falar em negligência. A investigação está no início e somente após as oitivas, perícia e todas as provas serem colhidas é que a polícia vai decidir pelo indiciamento ou não. A família clama por justiça.