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Vítima

Solange Couto perdeu papel após recusar assédio do diretor

Após 3 meses de muita dedicação, a atriz perdeu o papel

Cíntia LimaColunista do EM OFF

A atriz Solange Couto tem uma carreira digna de muito orgulho e assim como muitas mulheres foi vítima de assédio. Em seu relato a atriz conta que recusou e precisou reagir ao assédio que sofreu de um diretor e sua recusa lhe custou o papel no filme. 

Solange, de 64 anos, afirmou que perdeu um papel em um filme do diretor francês Marcel Camus (1912-1982) após reagir a um assédio do cineasta contra ela enquanto se submetia aos testes para atuar na produção.

Segundo o podcast Papagaio Falante, Solange Couto foi indicada pelo amigo Antonio Pitanga para atuar em um longa-metragem de coprodução Brasil-França intitulado “Os Pastores da Noite”. 

Fiquei três meses ensaiando. Durante os testes, teve um dia em que o Marcel Camus falou para mim: ‘senta aqui nessa janela’. Estava de shorts. Ele estava tirando foto e de repente veio e botou a mão do joelho para a parte de cima”. 

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“Eu empurrei a mão dele. Aí ele tentou vir pelo interior da coxa! Empurrei a mão dele [de novo], olhei dentro da cara dele e falei: ‘a próxima, eu dou na tua cara!’ Aí ele falou: ‘é por isso que você talvez não faça o filme'”.

O fato de Solange Couto ter se recusado e automaticamente se respeitado custou-lhe o papel no filme e a forma que atriz tomou conhecimento disso foi bem traumática. “No dia seguinte, cheguei para viajar para a Bahia [com o elenco e a produção, para o início das filmagens]. Quando eu cheguei com a mala, a recepcionista falou para mim: ‘eles já foram”.

A atriz ficou tão abalada, pois havia dedicado três meses de muito estudo, dedicação e aprimoramento do sotaque que precisou ficar dois meses no hospital. 

Atitudes como a de Solange Couto e de outras milhares de mulheres que perdem oportunidades profissionais mediante a recusa do assédio, devem ser denunciadas e expostas.

Ninguém, homens ou mulheres devem se submeter ou aceitar o abuso calados. Essa violação jamais deve ser escondida ou causar vergonha. 

Disque Denúncia 180 – para atendimento à mulher ou disque 100 para violação dos direitos humanos.