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revelação

Aguinaldo Silva revela seu vício

‘Não consigo dormir sem botar uma rapinha de Vick Vaporub no nariz’, admitiu o novelista

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

Autor de grandes sucessos da TV Globo como ‘Roque Santeiro’, ‘Império’ e ‘Senhora do Destino’, Aguinaldo Silva resolveu falar sobre um vício. Em um texto em seu Facebook, ele revela que não vive sem Vick Vaporub. “Só agora, 71 anos depois, descobri que não é apenas um hábito, mas um vício: esteja eu onde estiver, não consigo dormir sem botar uma rapinha de Vick Vaporub no nariz”, contou.

Para falar sobre o assunto, o novelista volta ao ano de 1950, quando ainda tinha por volta de 7 anos. “Havia uma doença que acometia crianças da minha idade: era a coqueluche, nome que eu, já então gay pra caramba, achava chiquerérrimo e muito francês. Havia outra doença que acometia adultos e às vezes os aleijava ou os levava dessa para melhor: era a congestão. As duas caíram em desuso e sumiram na escuridão dos tempos. Mas naquela época eram quase pandêmicas! A congestão, aliás, diga-se de passagem, acometia mais criaturas adultas do sexo masculino… Em geral durante o ato sexual, depois de um almoço em que a pobre vítima tinha comido alguma coisa como, por exemplo, um cozido a moda portuguesa. E a morte era tão fulminante que, quando ocorria assim, em pleno ato, a vítima mesmo depois de morta, continuava, bem, quer dizer, como eu direi… com o membro ereto. E, com um buquê de flores a disfarçar a evidência, assim era enterrada”, começou.

E Aguinaldo continuou: “No caso da coqueluche, para crianças frescas e filhas de pais ainda mais frescos o remédio era o suprassumo da frescura: um voo de avião. Lembro que o dr. José Aranha de Moura, o médico da nossa família, que nunca nos cobrou pelas consultas porque sabia que éramos pobríssimos, levou o filho dele, de nome Benjamin, para um desses voos, não nos grandes aviões da época, mas num teco-teco do Aeroclube da nossa cidade…E eu quase morri de tanta inveja. Pois infelizmente meus pais não podiam pagar por aquele luxo que era o sobrevoo da cidade de Carpina e a promessa de cura da pertinaz doença infantil. Assim, eu me curei da coqueluche com um remédio bem mais simples – as massagens com Vick Vaporub que minha amorosa mãe, dona Maria do Carmo Ferreira, me fazia no peito, noite após noite e durante anos”, rememorou.

“Por que estou escrevendo sobre isso? Porque, desde então, adquiri um hábito que só agora, 71 anos depois, descobri que não é apenas um hábito, mas um vício: esteja eu onde estiver, não consigo dormir sem botar uma rapinha de Vick Vaporub no nariz. Nesses anos todos só deixei de manter esse hábito durante 70 dias, quando estive preso na Ilha das Flores. Pois, se pedisse aos meus carcereiros que, por favor, me conseguissem uma latinha de Vick Vaporub, na certa o que eles me dariam seria uma porrada no nariz. Pois é, vejam vocês como assim caminha a humanidade: uns viciam-se em maconha, outros em cocaína, outros na “mardita” cachaça ou um dos seus múltiplos disfarces. Mas a criatura fresca que eu já fui viciou-se em Vick Vaporub… E não utilizado em algum orifício mais exótico, porém no nariz!A consciência tardia do vício me veio numa dessas frias noites lisboetas quando descobri que na latinha de Vick não havia o suficiente para a minha rapinha antes do sono… E eu entrei em desespero. Fiquei tão agoniado que, simplesmente, não dormi. Para passar aquelas intermináveis horas da madrugada tentei fazer o cálculo de quanto Vick Vaporub já consumi nesses mais de 70 anos. E concluí que a essa altura já podia até ser acionista da empresa que o fabrica, por conta do tanto que nele já gastei.E você, tem algum vício secreto e não sabido do qual possa falar aqui nos comentários sem correr o risco de ser preso e acabar dividindo a cela com um dos corruptos da ocasião? Se tiver, faça como eu, abra o jogo e confesse…”, encerrou.

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