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EXCLUSIVO Ameaçado após morte de turista, Borat denuncia: ‘Não sei até onde essas pessoas podem chegar’

Ex-assistente de palco de ‘Amor & Sexo’ conta que está com medo de empresários, que exploravam a atração turística conhecida como ‘Buraco Azul’

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

Ex-assistente de palco do programa ‘Amor & Sexo’, da Globo, Bruno Miranda, o Borat, passou os dois últimos dias de sua viagem para Jericoacoara, no Ceará, assustado e evitando sair do quarto de uma pousada. O influenciador revelou ter sofrido ameaças depois de pedir uma maior fiscalização na atração turística ‘Buraco Azul’, onde na última segunda-feira (22), ele participou de um resgate de um afogado, que não resistiu e morreu antes de ser socorrido.

A vítima foi identificada como o técnico de manutenção de equipamentos Uilgner dos Santos Rodrigues, de São Paulo. Após a sua morte, o Buraco Azul, localizado na comunidade de Caiçara a 20 Km de Jericoacoara, acabou sendo fechado por tempo indeterminado, revoltando os empresários e comerciantes que exploram o comércio da atração.

Borat revelou que tem recebido várias mensagens no privado em suas redes sociais. “Estão me mandando embora, dizem que sabem em que pousada estou hospedado, entre outras ameaças . Estou deixando, hoje [quinta-feira], a cidade, e não sei como vai ser daqui para frente. Realmente não sei até onde isso vai chegar. Tenho receio e estou com medo, sim. Durmo agora à base de calmantes. Vou embora, mas não sei até onde essas pessoas podem chegar”, denunciou o influenciador à coluna.

Borat revelou que recebeu também ligações da família de Uilgner dos Santos Rodrigues agradecendo pela tentativa de salvar o rapaz. “Não fiz nenhum ato heroíco. Só quis salvá-lo como outras pessoas que também entraram para ajudar os dois salva-vidas do lugar. As ligações do irmão e do pai do Uilgner amenizam a minha tristeza em saber que moradores e comerciantes de Caiçara querem me expulsar por que querem abafar o caso”, explicou ele.

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Mas, Bruno Miranda decidiu que vai registrar um Boletim de Ocorrência na Polícia contra os ameaçadores assim que chegar ao Rio. “Eu não fiz nada demais para merecer isso. Eu só relatei os problemas do Buraco Azul. Me mandaram vídeos de uma corrente de tirolesa que arrebentou há um tempo com um turista. Essa pessoa deslocou a bacia e até passou por uma cirurgia. Existem outros vídeos de afogamentos e de tragédias com outras mortes no local e isso vai continuar acontecendo ?”, questionou Borat.

“Tem manutenção? Tem fiscalização? Tem alvará? Precisa estar tudo certinho. É lindo? O Buraco Azul é lindo, mas não dá para vir aqui e voltar em um caixão como aconteceu com o rapaz de São Paulo. Essas pessoas que me ameaçam não querem que parem de vir os turistas pra cá. Eles querem que continuem! Mas cadê a segurança? O melhor é interditar mesmo e só reabrirem quando todas as instalações tiverem condições de funcionamento e isso será melhor para os turistas e para os próprios trabalhadores e empresários”, concluiu Borat.

A tragédia na atração

Na última terça-feira (22), Borat contou o drama que passou ao visitar o Buraco Azul no dia anterior, acompanhado da mulher Mariana Melgaço, quando um homem se afogou no local. Ele foi uma das pessoas que tentaram ajudar os dois salva-vidas no resgate do afogado.

“Eu estava almoçando com a Mariana em um dos restaurantes do local e aí começou um tumulto, um desespero para salvar um rapaz de um afogamento. Eu não pensei duas vezes e fui ajudar. Eu e mais três turistas e na hora, pensei: ‘eu vou salvar esse cara, eu vou retirar esse cara da água. Entrei e depois de um tempo, cheguei a pedir uma boia para recuperar o folêgo por conta da exaustão. Respirei e voltei a procurá-lo no água. Eu só queria salvá-lo”, contou Borat.

“Mergulhei em vários pontos diferentes da lagoa e ia tentando organizar as outras pessoas para poder fazer um arrastão e achar a pessoa, ajudar a achar a pessoa afogada. Subi e desci quatro metros direto umas 20 vezes e aí teve um momento que minha perna não aguentou mais. O meu corpo não aguentou. Nadei até próximo a escada para pedir alguém para entrar no meu lugar e mesmo do lado de fora, eu tentava fazer alguma coisa”, explicou o também empresário.

Bruno teve a ideia de procurar uma rede de pesca para facilitar nas buscas, mas não havia nenhuma rede por perto nem cilindros de oxigênio disponíveis para um resgate. Foram 30 minutos de desespero até que o rapaz foi encontrado no fundo. “O mais chocante ainda é que não tinha sequer uma ambulância de prontidão. É um local que não tem a menor infraestrutura para operar turisticamente”, decretou o ex-assistente de palco da Globo.