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EXCLUSIVO Cynthia Benini sobre André Gonçalves: “Não passo a mão na cabeça!”

Apresentadora detalha como está a relação da filha com André Gonçalves, que teve a prisão decretada por falta de pagamento de pensão

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

Mãe, mulher, atriz, jornalista, paisagista, empreendedora. Assim Cynthia Benini pode ser apresentada. Mas, nos últimos tempos, quando se fala o nome dela, imediatamente surge também o nome do ator André Gonçalves, com quem foi casada, e teve a filha Valentina, atualmente com 18 anos.
Por falta de pagamento de pensão, André teve a prisão decretada no fim do ano. A dívida com a jovem ultrapassa os R$350 mil. E, um acordo, ainda parece distante.

Nesta sexta-feira(28), dia em que completa 49 anos, Cynthia Benini não quer deixar nenhum problema familiar consumir sua energia. Pelo contrário, o momento que vive é de muitas reflexões, projetos e criatividade. Como você pode conferir neste papo delicioso que ela teve com a coluna.

Aniversário chegando, quais os planos para este novo ciclo?
Eu quero investir no meu canal, onde vou mostrar todas as minhas habilidades. Eu tive muito tempo de exposição no SBT, mas poucos conhecem de onde eu venho, as coisas que eu fiz antes. Então vou mostrar isso para o público. E também falar de coisas que faço atualmente, como paisagismo, que embora não seja uma profissão, é algo que me interesso muito. Vou mostrar a minha vida.

Como avalia a tua passagem pelo SBT, depois deste tempo longe da emissora? Foi uma saída conturbada, né?
Eu saí em 2015, depois de ficar 14 anos lá. Aprendi muito, foi uma experiência incrível, uma grande oportunidade. Mas o que aconteceu foi que eu queria fazer algo diferente, e não tinha espaço mais para os meus projetos. Minha ideia era continuar crescendo.


Então você estava insatisfeita, numa zona de conforto?
A minha inquietude, vontade de crescer, criatividade foram vistas por algumas pessoas como insatisfação. Mas isso é comum em gente que não se acomoda. Comecei a levar meus projetos e ser deixada de lado. E isso me entristeceu. É como num casamento, há desgaste. Mas foram 14 anos muito felizes.

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O clima era bom mesmo? Eu li que você brigou porque não tinha estrelinha na vaga do estacionamento, como é tradição no SBT para os principais nomes da emissora.
Imagina só, fiquei lá 14 anos, claro que a minha estrelinha estava apagada. Mas não reclamei disso. Às vezes saía matéria que falava do meu jeito de ser, mas isso não condizia com a minha história na emissora. Trabalhei com vários diretores e sempre tive relação de muita troca. Mas me chatearam muito algumas fofoquinhas.

A pergunta que todos os funcionários do SBT mais ouvem é sobre o Silvio Santos. Como é trabalhar com ele?
Eu dividi um programa com o Silvio Santos. Eu sou muito grata a ele. Na primeira reunião, quando saí da “Casa dos Artistas”, foi primeira vez que vi o Silvio. Era um encontro com alguém que cresci assistindo. Não tinha uma família que não visse. Foi um sonho trabalhar na emissora que fez parte do meu crescimento. E eu fui convidada para trabalhar lá diretamente por ele. Isso pra mim foi a glória. Agarrei a chance com unhas e dentes.

A tua relação com ele era como?
Ele é profissional extremo. A relação era muito profissional. Eu nunca fui atrás dele pedir nada. Só tinha contato quando ele chamava para apresentar algum projeto novo. E foi assim que trabalhamos juntos no “Bailando por um Sonho”. Ele apresentava e foi uma grande escola. Eu estudava muito para dar conta. Chegava na hora, ele falava comigo, mudava o roteiro e a gente improvisava. Isso foi incrível, pois eu precisava ser rápida, era como um programa de rádio.

Você entrou no jornalismo do SBT como?

Ele (Silvio Santos)disse para eu fazer um teste para ir para a bancada. Veio o carnaval e me ligaram, que eu ia apresentar o jornal. Eu nem sabia.

Você participou da “Casa dos Artistas”. Voltaria a um reality novamente?
Eu assisto de vez em quando, acho muito divertido, mas às vezes perco o interesse. Não sei se participaria de novo. Hoje, existe um olhar diferente. Não é uma crítica, não tenho nada contra. Mas não sei se hoje eu seguraria isso, não sei se contribuiria com o conteúdo do programa.

Na pandemia, acabamos confinados, sem escolha. Como foi pra você este período?
A pandemia fez com que pensássemos um pouco. Claro que tem gente que não. Mas quem está na mesma vibe se tocou o que é importante. O tempo de uma hora pra outra muda, temos que estar prontos para qualquer adaptação.

A Valentina é filha de dois artistas. Ela pensa em ser atriz também?
Eu nunca impus para a Valen que teria que ser como a mãe e o pai. Sempre deixei ela à vontade. Ela já fez Célia Helena (curso de teatro tradicional em São Paulo), tem feito uns trabalhos como modelo. Mas também faz faculdade de marketing e trabalha como vendedora há quase um ano, em uma loja de produtos naturais. Ela foi atrás, colocou currículo. Ganhou uma bolsa para passar 45 dias na Espanha estudando. Tudo que ela quer, ela vai atrás. A Valen é linda, muito doce. Eu acho que ela tem muitos atributos que são dela, como a delicadeza. Cabe a mim deixá-la viver e orientar.

Como ela fica com esse holofote todo na relação dela com o pai?
Mexe muito com ela. Ela ficou triste e constrangida. Tem muita gente que entrou no Instagram dela apoiando, mas apareceram pessoas xingando, mandando ela trabalhar. Independentemente da condição que temos, da raça, de o meu atual marido ter como oferecer uma vida boa, onde não falta nada pra minha filha, ela tem direito de receber o que a lei determinou. Essa situação que estamos vivendo é igual à de muitas mulheres.

Ou até pior, né? Pela exposição.
Sim. E sempre tivemos o cuidado que fosse uma coisa discreta. Mas alguém descobriu e tomou essa proporção. A Valentina ama o pai dela. E isso não tem a ver com amor. É justiça. Não existe a presença afetiva do pai. Então, qualquer outra exigência precisa ser através da lei. Ao contrário do que muita gente acha, eu nunca pedi pensão para mim. É tudo pra minha filha. Abri uma poupança pra ela para receber a pensão. E outra coisa, a pensão não paga 100% dos gastos. Eu arquei com o cuidado, amor, afeto, respaldo, educação. Seria maravilhoso ter dividido isso com ele.

Depois que se separaram, em algum momento ele cumpriu com as obrigações?
Fomos casados no papel por três anos e meio. Quando nos separamos, definimos com quem ela ia ficar, os valores, tudo. E desde o primeiro momento ele não pagou. Na época que ele estava na Globo, eu pedi ao meu advogado que entrasse com pedido de desconto em folha. É tão chato ligar para cobrar. E eu priorizei a relação deles de pai e filha. O pedido graças a Deus foi aceito e no período da Globo, até 2016, era descontado em folha. Quando ele foi dispensado, voltou a não arcar.

Então só depois desses quase cinco anos que vocês pediram a prisão dele?
Não pedimos a prisão dele. Até porque esse não era o intuito. Mas chegamos no momento que não existe afeto, diálogo, comprometimento. Então a lei precisa interferir. Existem três pontos que não devemos abrir mão na criação de um filho: segurança, educação e saúde. Eu penso se eu faltar, se eu não existir mais, minha filha precisa estar respaldada.

A relação entre eles já foi boa?
Quando ele se mudou pro Rio, eu morava em São Paulo. Por muitas vezes, ele dizia que ia vê-la e não aparecia. A mãe vai administrando. Algumas vezes, ela foi para o Rio. A última vez foi em novembro de 2020, foi a última vez que se viram. Eu que paguei a viagem. Só falar ao telefone não é suficiente. Ela precisa do pai a da mãe. Quando precisei em algum momento para ele ficar com a Valen, ele negou. Ele não é mais a figura paterna, é só o genitor. E já é adulto, precisa ser tratado como tal, não passo a mão na cabeça.

Você sente raiva dele?
Não tenho nada contra ele. Pelo contrário, torço por ele, que trabalhe, seja equilibrado. Só desejo o bem pra ele. Mas ele precisa ter responsabilidade. Optamos juntos por ter a nossa filha amada, desejada.

Fazer coisas ruins com nossos filhos machuca muito, né?
Olha, sinto maior orgulho de como criei a Valentina. Mas me machuca tanto que não posso dar algumas coisas pra ela. O André e a Dani (Winits, atual esposa de André) foram muito agressivos com a Valen na época da prisão. Ligaram agressivos com ela. Isso deixou ela muito triste. Ela tem direito. Não tem a ver com amor, respeito.

Curioso que ele sempre se relacionou com mulheres de personalidade.
Sim, sempre teve namoradas incríveis, grandes mulheres. Letícia (Sabatella) era maravilhosa. André não pode reclamar. Foram sempre mulheres lindas, guerreiras, fortes.

Qual a alegação dele para não pagar a pensão?
Ele é talentoso. E dizer que ficou anos sem trabalhar não dá. Depois que saiu da Globo, ele fez o filme do Edir Macedo, que dizem que foi um sucesso; trabalhou na Record, fez novela, peça de teatro. O valor pedido não é aleatório, é baseado no rendimento dele. Durante todo esse período, nós e a Tereza (Seiblitz, atriz com quem André Gonçalves tem uma outra filha, Manuela, de 23 anos, a que também deve pensão e teve a prisão decretada por uma dívida de R$109 mil) nunca fomos procuradas pelos advogados dele. Nunca fez uma proposta para ameninzar, propor alguma coisa que ficasse boa.

O que você diria para ele nesse momento?
Espero que ele entenda e tire uma lição desse momento triste. Ninguém fica feliz. Fica uma reflexão, de amadurecimento, que aprenda, tome decisão na vida dele de se reerguer, se tornar um pai grandioso. Ainda dá tempo, a idade cronológica permite. Ele é jovem, cheio de talento, tem que arregaçar as mangas. Não ficar se vitimizando.