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nova polêmica

Empresa que administra carreira de Gusttavo Lima pegou R$ 320 milhões do BNDES

A One7 é um fundo de créditos que negocia e adianta pagamentos de espetáculos a artistas com desconto, e depois embolsa o valor cheio pago pelos contratantes

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

Depois do escândalo envolvendo cachês milionários de Gusttavo Lima com dinheiro público de cidades pequenas do interior, agora foi a vez do nome do cantor ser inserido em uma nova polêmica. Ocorre que, o site DCM revelou que o One7, fundo de investimentos que administra a carreira do sertanejo, recebeu a bagatela de R$ 320 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), através de um fundo que empresta dinheiro para pequenos e médios empreendedores brasileiros.

Apesar de a One7 ter um capital social de apenas R$ 50 mil, a empresa fechou contrato milionário com Gusttavo Lima no auge da pandemia, comprando a administração da carreira do cantor por R$ 200 milhões. Com isso, a empresa passou a cuidar das negociações dos shows do artista, embora a agenda de apresentações, logística e locais dos shows continue sob responsabilidade de Gusttavo Lima.

João Paulo Fiuza, CEO da One7, compartilhou em seu LinkedIn uma comemoração, há cinco meses, pela escolha de sua empresa para receber a verba. “Muito honrado com a seleção da One7 no edital do BNDES que avaliou o potencial de 73 empresas em relação ao alcance de MPMEs em busca de crédito, fortalecendo nosso propósito de impactar positivamente a vida das pessoas. Na chamada pública, One7, XP Asset e Acqio atuaram juntas na apresentação da proposta selecionada. Ao total teremos R$ 400 milhões disponíveis para novas operações”, escreveu.

O empresário ainda chegou a explicar qual seria o destino da verba disponibilizada pelo BNDES: “A partir desse edital, One7 lança seu novo produto com potencial de alcance nacional, considerando as etapas de simulação, análise de crédito e contratação em ambiente digital. Batizado ‘One7maisCrédito’, o produto oferece capital de giro, sendo uma linha de crédito que atende desde MEIs até empresas com faturamento de até R$ 300 milhões/ano”, revelou.

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O próprio BNDES confirmou que iria investir R$ 320 milhões em um fundo para ajudar pequenos e médios empresários. A One7, junto com a XP Asset e a Acqio, serão as empresas responsáveis pela administração do fundo. No entanto, a One7, que comprou a administração da carreira do Gusttavo Lima por R$ 200 milhões, investiu apenas R$ 20 milhões no fundo federal e vai administrar um total vinte vezes maior que seu investimento.

Chama atenção o fato de a empresa que cuida do sertanejo ter contratos com diversas prefeituras e com o próprio governo federal, e ser a responsável por negociar os shows de Gusttavo Lima que serão pagos com dinheiro público e com valores considerados estratosféricos. Os cachês exorbitantes, se comparados ao valor de mercado, serão embolsados pela empresa em sua totalidade, diretamente das mãos dos contratantes, já que a mesma é a responsável por adiantar o pagamento ao cantor, após a negociação, e com desconto.

A One7 é um fundo de investimentos e, ao lado da empresa de organização de shows, Four Even, lançou um fundo de créditos que adianta o pagamento de espetáculos a artistas, com desconto, e depois embolsa o valor cheio pago pelos contratantes. Sete artistas já venderam seus shows ao fundo. Além de Gusttavo Lima, que antecipou 192 shows, o fundo também é dono de shows de Cesar Menotti e Fabiano, Sorriso Marto, Dubzdogs, Vintage Culture, Clayton e Romário e Junior Marques.

Procurada para falar sobre o assunto, a assessoria de Gusttavo Lima não retornou o contato até o fechamento desta matéria.

A One7, por sua vez, enviou um comunicado à coluna esclarecendo que não gerencia a carreira de nenhum artista. Confira na íntegra abaixo:

Como informações incorretas sobre a One7 estão circulando pela internet, esclarecemos aspectos importantes do nosso trabalho: não administramos carreira de artistas. Somos uma plataforma de serviços financeiros composta por fundos de investimentos (FIDCs e FIC) e uma securitizadora de crédito, as quais têm como objetivo a aquisição de direitos creditórios, ou seja, não possuindo qualquer veículo jurídico para a administração de carreira de artistas.

O fundo Four Even FIDC, do qual a One7 é apenas cotista (por meio do seu fundo de investimento em cotas de FIDC), detém os direitos de alguns shows da agenda de diferentes artistas. Entretanto, não administra a carreira de nenhum deles.

A One7 esclarece, ainda, que as operações do fundo Four Even FIDC não têm qualquer relação com o aporte feito pelo BNDES em 2021, destinado ao fundo FIC FIDC XP Brasil MPME, do qual a One7 também é cotista. Vale destacar que este fundo tem como vocação a oferta de crédito para micro e pequenas empresas no país, com critérios de elegibilidade de acordo com o regulamento do fundo, que pode ser obtido no site da CVM. Esses recursos não podem financiar quaisquer eventos artísticos.

Ressaltamos também que as parcerias da One7 com prefeituras do interior de São Paulo para a capacitação profissional de jovens são financiadas por recursos próprios da empresa, não existindo qualquer transação financeira ou comercial com os municípios envolvidos.

Reafirmamos que nossas decisões de negócios e parcerias continuarão a prezar pelo comprometimento e pela sinceridade, dois dos sete valores que sustentam a instituição desde a fundação”.