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‘Essa é uma das minhas pautas’, afirma Taís Araújo sobre falar do racismo

A atriz participou do podcast 'Quem Pode, Pod' e abordou a questão racial

Fábia Oliveira
Colunista do EM OFF

Taís Araújo participou do podcast ‘Quem Pode, Pod’, apresentado por Giovanna Ewbank e Fernanda Paes Leme, na noite de terça-feira (2). Durante o papo, a atriz abordou o tema do racismo e afirmou não se incomodar em ter que falar sempre sobre o assunto em entrevistas. De acordo com a esposa de Lázaro Ramos, a questão racial é uma de suas pautas, assim como a arte e a maternidade.

“A geração mais nova que eu, fala uma coisa que eu acho maravilhosa, de que a gente não tem que ensinar, que as pessoas têm que estudar, que os livros estão aí, os autores estão aí. Eu, como já sou uma jovem senhora, não tenho problema em ser mais didática. Não tenho problema mesmo”, falou a atriz.

Questionada sobre cansar de sempre ser abordada com o mesmo assunto, Taís Araújo revelou não se incomodar. “Eu não falo sobre isso todo dia. E eu não falo sobre isso com todo mundo. [Nas entrevistas] De alguma maneira essa é uma das minhas pautas. Assim como a educação é uma das minhas pautas, a arte, a maternidade… Não pode querer me reduzir a isso, aí não… Eu sou uma artista em várias coisas pra falar, mas não tem como negar que essa é uma das minhas pautas”, afirmou.

A atriz ainda contou que passou a entender que falava para outras pessoas, além de meninas e mulheres pretas, depois de uma participação em um programa de TV.

“Durante um momento, eu achei que só falava para meninas e mulheres negras, mas depois de um momento eu vi que não. E quem me mostrou isso foi uma menina branca, no programa do Serginho Groisman. Chegou no meu camarim uma carta, dizendo: ‘Taís, você é muito importante pra mim. Você me representa, na minha construção’. Eu já recebi isso de muitas mulheres e eu terminei de ler tendo a certeza que era uma menina negra que tinha me falado isso”, começou contando.

A atriz continuou: “Quando cheguei no programa, eu perguntei: ‘Quem me mandou a carta?’ e ela respondeu: ‘Fui eu’. Quando eu olhei, era uma menina branca, cabeço liso, loiro. Eu tomei um tapa de entender que eu estava falando para mais gente do que eu achei que estava falando. Pensei: ‘Tô alcançando mais gente’. E isso tem um valor, é importante”.

Taís ainda contou que passou a falar sobre o racismo de uma maneira que as pessoas brancas conseguissem entender quais soluções poderiam tomar em relação ao problema. “Fui pensando em como eu poderia alcançar as pessoas com o que é um dos maiores problemas do Brasil, que é a questão racial, o racismo. E falar de uma maneira em que as pessoas não se sentissem excluídas e, sim, parte, da solução também. Não só do problema”, falou.

TAÍS ARAÚJO - QUEM PODE, POD #05