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criança não é mãe

Famosos se manifestam sobre decisão que impediu aborto para menina de 11 anos estuprada

Felipe Neto, Taís Araújo, Daniela Mercury e Thelma Assis foram alguns nomes que criticaram a conduta da juíza Joana Ribeiro Zimmer

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

O caso da menina de 11 anos que foi estuprada e impedida de realizar um aborto, por decisão da juíza Joana Ribeiro Zimmer, em Santa Catarina, revoltou o Brasil. A hashtag #criançanãoémãe ganhou força nas redes sociais, desde que o caso foi divulgado nesta segunda-feira (20), e diversos artistas se manifestaram contra a atitude da justiça. Entre eles, a cantora Daniela Mercury, a atriz Taís Araújo, a campeã do ‘BBB 20’, Thelma Assis e o youtuber Felipe Neto.

“A justiça existe para proteger nossas crianças. Uma menina não é mãe e nem deve ser. Por isso que há leis para protegê-la”, escreveu Mercury em uma publicação no Twitter. “É completamente inacreditável! A juíza que mandou a menina de 11 anos ‘segurar a gravidez mais um pouquinho’ foi promovida”, falou Felipe Neto indignado ao compartilhar uma notícia. “Criança não é mãe. Estuprador não é pai”, disse Taís Araújo.

Outras personalidades da mídia também compartilharam sua revolta e criticaram a decisão da juíza. “Indignada com esse caso, um absurdo quando não podemos confiar na própria justiça”, escreveu a médica e ex-BBB Thelma Assis. A cantora Teresa Cristina deu a sua opinião: “Criança não é mãe. Estuprador não é pai. E essa juíza dos infernos é um monstro”, disse ela, que completou: “Pelo afastamento da juíza Joana Ribeiro Zimmer! Que seja responsabilizada pela tortura em uma criança de 10 anos! E quem por acaso concordar com essa brutalidade e estiver me seguindo: sai daqui, por favor”, pediu.

Zélia Zuncan deixou um questionamento em sua página do Twitter: “Por que uma menina de 11 anos tem que carregar os pecados do mundo patriarcal sozinha?”. A cantora foi apoiada pelos seguidores. “Ai Zélia, é de partir o coração o que esse anjinho tá passando”, lamentou uma moça. “Absurdo. Uma criança de 11 anos não tem nem estrutura física pra gerar uma outra criança“, falou outro internauta.

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Paola Oliveira também se pronunciou. “É muito difícil pra uma mulher ler tudo que está relacionado a esse caso. Imagine para uma menina, uma criança, estar vivendo isso. E quando eu falo em mulher, falo de ser humano, não de alguém como essa juíza que induz e coage uma criança a ter uma gravidez indesejada. Assisti ao vídeo da audiência agora pouco e estou estarrecida de revolta, de raiva e de tristeza. Não basta toda a violência sofrida por essa criança?”, escreveu ela no Twitter.

Ela continuou: “Como essa juíza pode achar que a felicidade e dignidade de uma criança e sua família é menos importante que a felicidade de um casal adotante que nem existe ainda? Como alguém pode olhar no rosto de uma menina em sofrimento absoluto e não protege-la? Não acolhe-la? É nojento”, falou.

Entenda o caso!

Nesta segunda-feira (20), uma reportagem dos sites ‘Portal Catarinas’ e ‘The Intercept’ revelaram que uma menina, de 11 anos, foi vítima de um estupro, engravidou e teve o procedimento para interromper a gestação negado pela juíza Joana Ribeiro Zimmer. A criança descobriu que estava com 22 semanas ao ser encaminhada a um hospital de Florianópolis, em Santa Catarina.

A decisão e trechos de uma audiência sobre o caso foram revelados pelos portais. Nas imagens, a juíza questiona se a menina não poderia manter a gestação por mais “uma ou duas semanas”, para aumentar a sobrevida do feto. Em determinado momento, Joana Zimmer chega a perguntar: “Queres escolher algum nome para o bebê?” e recebe uma negativa da menina com a cabeça.

Após a decisão da justiça, a menina foi mandada para um abrigo. Com a repercussão do caso, na manhã desta terça-feira (21), a Justiça determinou que a menina voltasse a morar com a mãe. Em entrevista ao portal ‘G1 SC’, a advogada de defesa da família disse que já há uma decisão autorizando a interrupção da gravidez, no entanto, não deu detalhes sobre os próximos passos do caso.

De acordo com o site, o Conselho Nacional de Justiça está apurando a conduta da magistrada, que deixou o caso após receber uma promoção. Ainda segundo o ‘G1’, a promoção foi aceita na quarta-feira (15) e desde sexta-feira (17) ela já estava fora. Sem dar nomes, a Joana Zimmer relatou que um juiz substituto assumiu a ação.