ExclusivoGlobo e Casagrande rebatem pedido indenizatório de Ana Paula Henkel

Ex-jogadora de vôlei pede R$ 100 mil da emissora e de Casagrande, após ser duramente criticada pelo comentarista

Fábia Oliveira
Colunista do EM OFF

O processo que a ex-jogadora de vôlei, Ana Paula Henkel, move contra Walter Casagrande e a Globo acaba de ganhar mais um capítulo. Os dois réus desta ação se manifestaram e apresentaram suas respectivas contestações dos fatos. Ana Paula pede R$ 100 mil de indenização por danos morais, sendo R$ 50 mil de Casagrande e outros R$ 50 da Globo, após o comentarista esportivo ter se referido a ela como “defensora dos violentos, dos antidemocráticos, das armas e de tudo que é ruim em nossa sociedade”, em sua coluna no site GE, que pertence ao grupo Globo.

Em sua defesa, a Globo alegou que o caso em questão não comportaria qualquer tipo de indenização pois, desde o início, antes mesmo da Ação de Direito de Resposta ajuizada por Ana, publicou, de boa-fé, a carta dela em resposta às declarações de Casagrande. Ou seja, a Globo mostrou que, desde o início, tentou cooperar com a situação, antes mesmo que o pedido de resposta movido fosse apreciado pela Justiça.

Ainda, sustentou que o jornalista não teria feito nada além de exercer o seu direito constitucional de liberdade de expressão e crítica, reportando fatos que eram de notório interesse coletivo e que possuíam um claro fim jornalístico. Importante dizer, ainda, que a emissora deixou claro que Ana é conhecida por expressar e deixar em evidência para todo o público os seus posicionamentos políticos. Dessa forma, a mesma contaria com muitos apoiadores políticos, mas também com muitos haters. O que importa é que seu comportamento geraria muita exposição pública e engajamento político, o que a tornaria sujeita a opiniões e críticas desfavoráveis, que são absolutamente comuns e frequentes. Ela deveria, portanto, estar acostumada em ter pessoas, públicas ou não, discordando dela.

A Globo também alega que Ana é uma figura pública e, por isso, estaria sujeita a um nível muito maior de exposição e críticas, e deveria estar acostumada com isso e a lidar com os famosos “ossos do ofício”. Sustenta, ainda que inexistiria qualquer abuso por parte da emissora e de Casagrande, além do fato de que o direito de resposta já foi efetivamente ofertado à Ana na página do ‘Globo Esporte’ e no próprio blog de Walter. Razões essas pelas quais o feito por ela iniciado deve ser julgado como improcedente, sem a decretação de qualquer reparação.

Há também a justificativo de que nã houve comprovação da ocorrência de dano. Outro ponto que a Globo questionou foi o valor abusivo que foi pedido a título de danos morais, no valor total de R$ 100 mil. A emissora diz que o valor é claramente fantasioso e delirante, implicando em um enriquecimento ilícito por parte da ex-jogadora de vôlei, caso seja concedido.

Walter Casagrande, por sua vez, pediu que a ação seja julgada improcedente, alegando que a informação por ele publicada não deve ser lida dentro de um contexto pessoal, mas sim no contexto geral de cunho jornalístico. Disse, ainda, que a pessoa notoriamente pública se sujeita a exercer determinada atividade publicamente, tornando-a famosa aos olhos do público, de modo que não poderá se voltar contra críticas eventuais, ainda que as mesmas sejam duras e severas.

O que se sustenta é que Casagrande, no exercício do seu ofício, fez uma alusão a um fato que é público, sem, em momento algum, ofender a personalidade de Ana Paula Henkel. Ele ainda lembra que a liberdade de imprensa não se restringe ao direito da informar e comunicar um fato. Ela inclui outras garantias, entre elas, o direito de criticar e o de dar uma opinião sobre aquilo que está sendo noticiado.

Os advogados do ex-futebolista afirmam que a conduta dele não foi capaz de gerar danos à imagem e à personalidade de Ana. Além disso, chamam atenção para o fato de que não foram anexados aos autos as provas nesse sentido. Outro ponto citado é que Casagrande não criou nenhuma notícia falsa, tendo apenas emitido sua opinião jornalística, em função do cargo.