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justiça

Globo é condenada a pagar mais de R$ 1 milhão por sexismo com jornalista

Carina Pereira trabalhou na emissora por mais de sete anos e moveu uma ação após ser demitida em janeiro de 2021

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

A ‘TV Globo’ foi condenada a pagar mais de R$ 1 milhão em um processo movido pela jornalista Carina Pereira, ex-apresentadora do ‘Globo Esporte’, da Globo Minas. A moça trabalhou na emissora por mais de sete anos, até ser demitida em janeiro de 2021. Na ocasião, ela fez um longo desabafo nas redes sociais e declarou ter sido vítima de assédio moral por parte de seus superiores.

A ação movida por Carina acusa a ‘TV Globo’ de sexismo. De acordo com informações do site ‘Na Telinha’, que teve acesso à decisão judicial divulgada no último dia 11, o juiz Marcel Luiz Campos Rodrigues entendeu que a ex-funcionária realmente foi vítima de comportamento discriminatório em razão do gênero, praticado pelo superior hierárquico dela na época.

“É evidente que em um ambiente marcado pelo sexismo, a postura corporativa da Reclamada que, segundo ela, adota “não apenas (…) políticas de prevenção e repressão à prática de atos discriminatórios, mas, também, a promoção de políticas de valorização, inserção e representatividade da mulher no ambiente de trabalho” (fl. 274), possuindo, inclusive, um “Comitê Diversidade do Esporte”, é necessária e elogiável, dada a importância do próprio Grupo Globo, em razão de seu porte capilaridade social”, diz um trecho do processo.

Ainda de acordo com o ‘Na Telinha’, a jornalista questionou também sobre acúmulo de funções, horas extras, adicional noturno, feriados, abono e participação nos lucros. Ao todo, o valor a ser pago pela emissora para Carina Pereira é de R$ 1.594.961,41, contando ainda com R$ 20 mil referentes aos custos com advogados.

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Em entrevista para o portal, o advogado de Carina Pereira, André Froes de Aguilar, disse que a sentença foi justa e comemorou a decisão. “Quando a mulher é tratada como um objeto e com conotação sexista, como se observou no presente processo, o Poder Judiciário deve atuar, de maneira contundente a se evitar que o mesmo padrão seja repetido, até porque a violência não é praticada apenas em relação à reclamante, mas em relação a toda e qualquer profissional do sexo feminino. Portanto, justiça foi feita”, disse ele.

Na época da demissão, Carine Pereira publicou um vídeo de mais de 13 minutos falando sobre a situação. Em uma das partes ela citou o desafio: “Sou muito grata pelos sete anos que vivi, mas eu não estava mais feliz. Já tem uns dois anos que aconteceram coisas que foram somando. Enfrentei uma redação de esporte e não sabia que seria tão desafiador assim. Enfrentei muito preconceito por ser mulher e por não ser desse meio”.

Na legenda da publicação, na época, a jornalista escreveu: “Oi, gente!
Até que enfim postei o vídeo, hein! Aqui tem um pouco da minha história na TV, tem desabafo e tem agradecimento! Obrigada por se preocuparem comigo. Eu sou muito grata por todo carinho que recebo e recebi. E me desejem muita luz pra Deus iluminar o meu caminho! Obrigada a todos de todo coração! E o futuro? O futuro é hoje”.