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ANÁLISE

Micareta São Paulo: sucessos, decepções e a consagração de uma veterana

O carnaval fora de época aconteceu na capital paulista entre os dias 16 e 18 de junho

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

A primeira Micareta São Paulo aconteceu com a promessa de ser o novo grande evento de carnaval fora de época da cidade. Os nomes confirmados eram de parar qualquer trânsito e assim se fez dentro do Anhembi. Era um mundaréu de gente seguindo o trio dentro do circuito indoor.

Daniela Mercury, a grande musa do axé, entrou e carregou um mar de gente com seu batuque mais afro. Não faltaram discursos políticos em favor da comunidade LGBTQIA+ (importantíssimos, por sinal). O balé da cantora é sempre um evento à parte. 

A grande decepção ficou por conta da Luísa Sonza. A cantora ainda precisa tomar mais corpo para comandar um trio elétrico. A falta de repertório é gritante. Essa coluna contou e ‘Sentadona’ foi cantada nada mais, nada menos do que cinco vezes. Não há santo que aguente. 

A cantora ainda tentou se mostrar próxima ao público descendo do trio e indo para a galera. Boa vontade não faltou. Luísa só precisa mesmo adquirir um repertório maior do que ela tem e são grandes as chances de dar a volta por cima.

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Ivete Sangalo foi a grande estrela da noite. Por onde passa, a baiana não deixa ninguém parado. Veveta respeita seu público e não sai de casa para entregar qualquer coisa. Talvez uma de suas egocentrices (no bom sentido) seja marcar e tornar cada encontro inesquecível. 

A cantora pulou, cantou, mostrou seu amor pela comunidade LGBTQIA+ e um detalhe que essa coluna percebeu: o olho de Ivete não para! Enquanto faz seu show em cima do trio, ela observa se algo errado está acontecendo na multidão. 

Sabe o tipo que cuida de suas crias? Ivete é assim. E se tiver que dar bronca, aguenta… porque mainha desce a boca. Amor por seus fãs. Ao final de seu bloco todas as divas, como Vanessa da Mata, Sonza, Mercury e outras cantoras estavam no trio para reverenciar e saudar a rainha.

O segundo dia foi marcado pelas divas drag. Gloria Groove não é uma artista para trio, ela é o próprio trio. Percebe-se que o espaço onde canta fica pequeno para toda a emoção que toma a cantora. Bianca Boca Rosa, musa do trio, ficou responsável por dar suas indiretas políticas: falou do vermelho, do 13 e foi aplaudida pela multidão.  Gloria é uma ativista que não se deixa abalar pelos ataques que recebe. 

Pabllo Vittar se tornou um espetáculo. Canta, dança… e como dança! Ela é amada pelo público, mas os graves, apesar de marca registrada dela, se fazem desnecessários em grande quantidade como ela abusou nessa micareta. A equipe técnica da cantora precisa controlar mais esse microfone ou teremos uma geração de fãs com zumbidos eternos.

Ludmilla tem o domínio do trio, repertório, mas um ato falho dessa apresentação foi usar uma roupa em tons de azul marinho em plena noite. A voz estava ali, mas a presença física da cantora ficou apagada pelo traje. 

Nesse segundo dia, o público, já num começo de saturação, começou a perceber e reclamar dos valores da dose. Um dedo e meio de vodca importada custava R$ 30. Já uma cerveja Itaipava, apesar de se dizer malte, era do tipo bem fraca, não saía por menos de R$ 16, enquanto o energético, de marca que o público reclamava muito, custava a bagatela de R$ 25. O famoso assalto à mão armada, mas sorrindo.

 Quem, por algum motivo, chegava mais tarde, tinha sérios problemas para retirar o abadá.  Dizem que eventos da San Sebastian sempre tem problemas de organização. Esses comentários eram constantes nas filas formadas para retirar o abadá. Dizem que os donos se preocupam tanto com as atrações que esquecem do público e muitos se sentiram desrespeitados mais uma vez.

O último dia da Micareta São Paulo só deu ela: Claudia Leitte. A cantora aprendeu a lidar com seu público. Aquela sensação de outros shows – em que a cantora e seu público pareciam estar se conhecendo ali – acabou! 

Claudia sabe com quem está falando e fala a língua de sua legião de fãs como ninguém. A cantora foi uma explosão. Não deixou para ninguém. Todas as outras que passaram ali, ficaram à sua sombra. 

Foi uma chuva de sucessos e Claudia, que não costuma ser boa de retórica, aprendeu o que seus fãs querem ouvir. A artista estava ‘imparável’, estava se divertindo, estava plena.  Não importa o que falassem, ela só queria entregar o melhor, parecia entender a carência que seu público estava.

O que era para ser duas voltas no circuito, viraram quatro e só chegou ao fim porque a organização do evento colocou outro trio na frente para que a cantora não pudesse continuar.

Claudia aprendeu a falar da sexualidade de seus fãs sem ficar constrangida, tanto que fez uma brincadeira (só quem estava saberá) e a resposta do público foi a mais engraçada querendo saber o que seu pastor achará daquilo. A cantora foi para casa ovacionada e com a certeza de dever cumprido.  Valeu muito, Claudia.