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escolha dele!

‘Não acreditava que fosse acontecer’, desabafa Carol Nakamura sobre decisão do filho adotivo

A apresentadora e o marido, Guilherme Leonel, contaram que o menino, de 12 anos, voltou a morar com a mãe biológica

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

Carol Nakamura e Guilherme Leonel usaram as redes sociais nesta terça-feira (31), para contar que o filho adotivo Wallace, de 12 anos, decidiu voltar para a casa da mãe biológica. De acordo com o casal, que ainda aguardava a finalização do processo de adoção, a iniciativa partiu do próprio menino.

Guilherme Leonel falou primeiro sobre a situação. Ele publicou uma foto do menino e fez um texto emocionante. “Meu sonho era vê-lo voando na vida! Eu sempre afirmei: esse moleque chega onde ele quiser. Com a malandragem de vida, a inteligência que tem e todo suporte que damos, ele vai voar. Mas nem sempre as coisas saem como a gente quer, e não temos controle sobre as vontades alheias. E infelizmente a vontade dele foi partir, voltar para a casa da mãe biológica. E por mais doloroso que seja para nós, temos de entender e respeitar, afinal, não sei como reagiria se estivesse na pele dele”, começou escrevendo.

Guilherme seguiu: “Você viver em um mundo completamente avesso àquele que vivia, onde existem regras , horários, compromissos, obrigações. Tudo isso, depois de viver 9 anos, sem se quer conhecer nenhuma das palavras mencionadas acima. Sem saber ler, escrever… Mas, o que prezamos é a felicidade dele, mesmo sabendo que dificilmente terá um futuro”.

Ainda na publicação, o marido de Carol Nakamura pediu respeito à dor do casal. “Oramos e pedimos com muita fé a Deus, para que ele se encontre, e seja um bom menino, dedicado, estudioso, esforçado… E carregue consigo os ensinamentos que passamos todos os dias que tivemos juntos. Para todos que perguntam incessantemente, esta é a verdade, a triste verdade, da qual não temos nenhum prazer em contar, pois nos machuca. Não esperávamos que fosse desta forma. Logo, pedimos respeito a dor do próximo, pois se vocês se preocupam e sentem saudades, imaginem a gente? Que desenhou toda uma história juntos, abdicamos de muitas coisas para dar o melhor a ele. Jamais imaginaríamos que fosse desta forma, mas foi, e estamos superando“, finalizou.

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Nos stories, Guilherme também falou um pouco mais sobre a situação. “Não o tiramos dessa realidade para um dia vê-lo retornar. Pelo contrário, tiramos para um dia ele retornar e retirar mais pessoas. Poder mostrar que é capaz, sair e vencer”, escreveu. “Qualquer pai que ‘perde’ um filho, tenha certeza, ele jamais estará genuinamente feliz. A dor sempre estará presente”, completou.

Em seguida, foi a vez de Carol Nakamura se pronunciar sobre a questão. A apresentadora disse ia falar sobre o assunto, em respeito aos fãs. “É um assunto muito delicado que não estou preparada pra falar, de verdade. Só venho aqui nas redes sociais porque vocês me perguntam muito, muito mesmo, e pelo fato do Wallace ter ficado três anos e a gente ter feito muitos vídeos mostrando ele, toda a caminhada, toda a trajetória, em respeito a vocês, vim aqui falar sobre o assunto”, começou ela.

Carol explicou que conheceu Wallace durante uma ação social no Lixão de Gramacho. Em determinada situação, ela descobriu que aos 9 anos, ele nunca tinha ido para a escola e, então, em comum acordo com a avó biológica dele, ela o matriculou em um colégio e o levou para sua casa. As visitas eram feitas sempre que a família ou o próprio menino pediam.

“Sempre foi muito amado e ele tem consciência disso. Ele tem uma mãe biológica. Uma criança que cresce sem regra, é muito difícil… Por mais que você mostre os benefícios da educação, alfabetização, ter uma família, casa, oportunidades, o que ele não tinha antes, é complicado e decepcionante. Não acreditava que isso fosse acontecer”, disse ela.

Ela contou que Wallace passou a entender que eles não tinham a guarda definitiva dele. “Tive que respeitar a vontade dele. Ele já tinha entendido que eu não tinha a guarda dele. Se a gente brigasse ou colocasse de castigo ou chamasse a atenção, ele queria ir para a casa da mãe. E se a mãe fizesse o mesmo, ele vinha para cá. E nisso, faltando na aula. Sem vergonha. A gente sempre sentou e conversou demais, mas infelizmente, foi isso. Já chorei, fiquei sem entender, mas não adianta. O que me resta é aceitar. É um assunto que me incomoda muito. Fiquei me perguntando: onde errei, o que fiz de errado?“, falou.

Nakamura disse que respeita a decisão do menino. “Eu amo o Wallace, mas ele tem 12 anos. Perante a justiça, a palavra dele já vale. Não tenho a guarda dele. Me prometeram várias vezes e não me deram. Eu tinha acabado de renovar a lista de material, fiz ele escolher os cadernos. Quando eu era mais nova, não tinha grana, era tudo muito básico. Deixei ele escolher tudo e foi isso… Comprei uniforme… É triste”.