ExclusivoPolicial processa Pétala Barreiros por dizer que não foi acolhida em delegacia e se dá mal

Juíza julgou ação como 'improcedente'

Fábia Oliveira
Colunista do EM OFF

O escrivão da Polícia Civil, Wilson Lourenço da Rocha, entrou com uma ação contra Pétala Barreiros, solicitando uma indenização por danos morais. O processo teve início após Pétala dizer publicamente, em dezembro de 2020, que não foi bem recebida na 6ª Delegacia da Mulher, em Santo Amaro, São Paulo (SP), onde Wilson trabalhava, quando tentou denunciar seu ex-marido, Marcos Araújo. Ele era um dos policiais que estavam de plantão na delegacia, no dia em que Pétala deixou a distrital aos prantos, dizendo que não conseguiu registrar seu boletim de ocorrência.

Wilson afirma que, por volta do meio dia daquela data, Pétala esteve com sua mãe na delegacia para registrar o B.O contra o empresário, alegando ter sido vítima ameaça, injúria e violência doméstica. Narra, ainda, que iniciou o atendimento de Pétala fazendo algumas perguntas básicas, a fim de conferir se o caso em questão estava de acordo com a legislação da Lei Maria da Penha, para então fazer o registro da ocorrência.

Após algum tempo, Wilson diz que Pétala começou a chorar e gritar contra contra ele, aparentando um estado de puro desequilíbrio emocional, que poderia ter sido desencadeado pelas perguntas feitas. Ainda segundo o policial, durante o atendimento, Pétala pediu para que sua mãe filmasse com o celular tudo o que ele estava falando naquele momento. A mãe da influencer teria entendido que Wilson estava sendo rude e insensível com sua filha, quando ele afirma que, na verdade, estava apenas fazendo o seu trabalho de forma educada e respeitosa, de acordo com o que preveem os processos normais e habituais.

Em meio à filmagem, dona Eunice Barreiros tentou chamar uma ‘testemunha’ das supostas grosserias, mas ao chamar Sueli Lima Souza, que também estava presente no local para registrar um B.O, a mesma afirmou para a câmera do celular que o policial não foi rude ou insensível em momento algum. Após a gravação, Pétala e sua mãe saíram da Delegacia da Mulher, sem concluir o boletim de ocorrência.

Pouco tempo depois, o nome de Wilson já estava sendo exposto nas redes sociais. Os advogados do escrivão afirmam que Pétala usou esses mecanismos para ‘denunciar’ Wilson como um policial que teria sido bruto e desrespeitoso com ela, sem lhe dar o atendimento justo e cuidadoso, ao qual ela teria direito. Sustentam, ainda, que desde o dia 31 de dezembro, o nome, a intimidade, a honra e a profissão do policial estão sendo alvo de ofensas no Instagram.

Wilson deixou claro que não ficou incomodado em ser filmado, por entender que esse seria um direito de Pétala. Contudo, afirma que as filmagens deveriam ter sido apresentadas de forma sigilosa às autoridades superiores, de forma que redes sociais não servissem como tribunais populares. Ele alega que o que aconteceu foi uma ‘denúncia social’ completamente injusta e absurda, gerando clara violação de sua privacidade e intimidade. Trata-se, ainda, de um caso de grande repercussão pública, observado o fato de Wilson ser um policial, em tempos em que muito se fala sobre a agressividade desse tipo de profissional.

Apesar das alegações do policial, a Juíza Fernanda Franco Bueno Cáceres afirmou em sentença do dia 16 de junho, que Pétala teria se sentido desrespeitada com o atendimento recebido por Wilson na Delegacia da Mulher, e agredida pela sua abordagem. Após a análise do vídeo, a magistrada entendeu que Pétala não teve qualquer intenção de difamar, ofender, injuriar, caluniar ou intentar atos de violência contra Wilson.

Além disso, Wilson teria dito à Pétala que não sabia que ela faria denúncias via rede social. Para a influencer e sua mãe, a pergunta teria soado com um tom irônico, o que a juíza entendeu como plenamente possível. Observado que o próprio Wilson disse que ela estava desequilibrada emocionalmente, a magistrada entendeu que ele deveria ter agido de outra forma, de modo a ser mais hospitaleiro e educado, dando o apoio e o suporte necessários a uma vítima.

No vídeo, seria possível perceber que Wilson estava esbravejando e gesticulando muito, quando, na verdade, deveria ter tido uma postura tranquila e atenciosa, a fim de atender alguém que precisava de ajuda. Em um tom alto e um tanto exacerbado, o policial teria dito que Pétala não tinha um problema e que não estava bem. Disse que não estava lá a favor de tons de ameaça, bem como não estava do lado de “gente errada”. O problema não seria o conteúdo de sua fala, mas sim a forma com a qual a proferiu.

Por fim, a juíza mencionou que Wilson não apresentou nenhuma prova de que sua família e amigos teriam tomado ciência do vídeo. Além disso, não trouxe nenhuma declaração ou indicou pessoas para serem ouvidas em seu favor em juízo. Diz que se sentiu ameaçado, mas não anexou aos autos os prints de mensagens de internautas em tom ameaçador e desrespeitoso. Desta forma, não ficou confirmado nos autos que houve violação à honra e a imagem do autor. Logo, a ação foi julgada improcedente.