PRECONCEITO

Rapper denuncia caso de racismo em shopping: ‘Não aguento mais isso’

Vulgo FK relata que sempre é perseguido quando passa pelo Suzano Shopping

Fábia Oliveira
Colunista do EM OFF

Um simples passeio pelo Shopping Suzano, localizado a 40 km da cidade de São Paulo, se transformou em mais um dia de constrangimento e dor para o rapper Vulgo FK. Nesta quinta-feira (21), o cantor recorreu ao Stories no Instagram para denunciar que foi perseguido, sem nenhum motivo aparente, por seguranças do centro comercial. E essa não é a primeira vez que ele é vítima de racismo no local. 

“Não sei por que eu vejo nessa merda desse shopping. Desde quando eu não era nada, nem cantava, eu já era perseguido pelos seguranças”, começou o cantor, aparentemente bastante nervoso por ter passado, mais uma vez, por essa triste situação. 

Vulgo FK afirma que não queria ir até o shopping, pois ele sabia que ia ser alvo de discriminação. “Eu vim aqui porque estou indo na academia, buscando minha saúde. Não queria nem estar passando por aqui. O segurança ficou me olhando. Meu primo viu as ideias na gente. Eles estavam abaixando e olhando. Eu perguntei por que você está me olhando”, conta

Ele relata que ficou sem resposta quando questionou o segurança sobre o motivo da perseguição. “Ficou sem graça e não soube falar merda nenhuma. Esse shopping é uma merda. Cansei. Toda vez, minha vida toda passei neurose aqui nessa merda desse shopping. Estou quase chorando de ódio. Vai se fuder. Não devo nada para ninguém”, desabafa. 

O artista continua: “Desculpa meu palavreado, é meu jeito. Estou nervoso. Estou puto. Não aguento mais isso. Os seguranças me olhando, me seguindo. Eu estava dentro da farmácia. Só por causa da minha camiseta, meu cabelo, minha pele? Qual o motivo de ficar me olhando?”, disse.

Após o episódio repercutir nas redes sociais, o Suzano Shopping publicou um comunicado em sua conta no Instagram. “O Suzano Shopping informa que foi surpreendido por acusações divulgadas em perfil de rede social nesta 5ª feira (21/07), por parte do rapper Vulgo FK”, começou.

O centro de compras enfatiza que não recebeu nenhuma denúncia do tipo através do seu canal de atendimento. “Vale destacar, inclusive, que o centro de compras e lazer suzanense não recebeu, em seus canais de comunicação e ouvidoria, nenhuma ocorrência desta natureza. Reforça que valoriza o diálogo, tanto que entrou em contato com a assessoria do artista e não obteve retorno, mas continua à disposição para ouvir o rapper”, continua a nota. 

O shopping reitera que não compactua com nenhum tipo de ato discriminatório e que busca oferecer as melhores experiências aos seus clientes. “O Suzano Shopping, que mantém ligação histórica com a cidade e região há 21 anos, se posiciona totalmente contra qualquer tipo de discriminação e de ações que flertem com intolerância.O centro de compras e lazer suzanense defende a harmonia, o acolhimento, a diversidade e a pluralidade, bem como busca oferecer as melhores experiências aos mais de 1 milhão de frequentadores / mês”, finaliza. 

Ao tomar conhecimento do pronunciamento do shopping, Vulgo FK enviou sua resposta para a coluna. “A via de buscar um responsável pela administração do shopping favorece os ‘agressores’ e ajuda a blindar as instituições que, quando diante de um fato como esse, pede desculpas e diz não se comprazer com tais atitudes e que reprovam com veemência”, disse. 

Ele acredita que um simples pronunciamento não vai diminuir os episódios de preconceito racial dentro do shopping. “E nesta toada seguem o aumento de perseguições às pessoas que por razões não obvias, (não há justificativa para qualquer ato de preconceito e perseguição), constantemente passam por isso”, continua. 

O artista diz que as denúncias, como a dele, incomodam quem agride e quem compactua com o ato: “O grito deve ser imediato. E a rede social muito bem aproveitada causa desconforto aos desatentos ‘agressores’ e as instituições que representam”. 

Ele deu um recado para a equipe do Suzano Shopping para que esses episódios não se repitam: “Aos administradores do shopping, no que tange a segurança, seja terceirizada ou não, trabalhem com proatividade, reciclem, auxiliem, conscientizem, conheçam seus colaboradores, desta forma episódios como esse dificilmente ocorrerão”; 

O músico finaliza falando sobre o motivo da denúncia e que não busca um pedido de desculpa, mas que outros negros não sejam alvo de discriminação no shopping. “A “agressão” foi real, imediata, meu grito, foi à altura e no tempo necessário! Façam uso das câmeras de segurança e tirem suas próprias conclusões. Lembrem-se, quem bate, esquece, quem apanha, jamais. Não quero pedido de desculpas, ficaria feliz em saber que isso não ocorrerá com próximo’, conclui.