Fechar

EXCLUSIVO Shantal pede afastamento de Kalil da medicina: ‘pra mim era óbvio que ele seria suspenso’

Influencer protocolou petição para que médico seja impedido de exercer medicina enquanto investigações de denúncias estiverem em curso

Fábia Oliveira EM OFF
Fábia OliveiraColunista do EM OFF

No início deste mês, a defesa de Shantal Verdelho protocolou no Conselho de Ética e Disciplina do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), uma petição para que o médico Renato Kalil não exerça mais a medicina durante o curso das investigações das denúncias de violência obstétrica e sexual contra ele.

Em conversa com a coluna, Shantal lamentou que tenha sido necessário um pedido seu para que uma atitude seja tomada e o médico seja afastado de suas funções. “Para mim, seria muito óbvio que ele seria suspenso enquanto tem esse tanto de denúncias nesse nível de gravidade, que é o assédio sexual, até por respeito às vítimas”, desabafou a influenciadora. 

Shantal visa evitar que novas pacientes passem pelo mesmo que ela e que as outras mulheres que denunciaram Kalil. “Eu entro (com o pedido) para que outras vítimas não precisem passar pelo que eu passei. Existem vítimas, testemunhas, colaboradores e colegas profissionais que alegam que esse é o comportamento dele com as pessoas ao seu redor”, lembra.

O inquérito que apura as denúncias contra Renato Kalil já colheu 18 depoimentos de mulheres que alegaram ter sofrido algum tipo de violência. Além do Cremesp, que já abriu uma investigação contra Kalil, o Ministério Público de São Paulo investigação e os hospitais Rede D’Or São Luiz e Albert Einstein, em São Paulo, iniciaram processo administrativo para apurar os fatos denunciados pelas pacientes do profissional. No caso do Einstein, o processo foi finalizado e nenhuma reclamação contra o médico foi identificada internamente na unidade.

Continua após a publicidade

Ainda segundo Shantal, logo quando a história veio a público, a mulher do médico, Ilana Kalil, chegou a entrar em contato com ela pedindo que o caso fosse abafado. “A esposa dele entrou em contato comigo logo que os áudios e vídeos vazaram. Nós conversamos e ela pediu pela família dela, para que o assunto parasse. Mas o assunto levou uma proporção que eu não esperava”, conta ela, que tentou resolver diretamente com Kalil, mas acabou sendo bloqueada pelo médico.

“Eu queria resolver isso do âmbito particular, não de uma forma pública. Não era meu desejo, de forma alguma. Tanto que quando eu assisti o parto, por conta da posição ginecológica que eu estava e prestando atenção no parto da minha filha em si, tomei conhecimento de muita coisa que não sabia que tinha acontecido. Minha atitude foi enviar as partes que eu não gostei e me senti constrangida para o próprio Kalil, para resolver com ele. Ele me bloqueou e me calou. Então eu guardei a história pra mim. Quando eu desabafei em um grupo de mães e vazou, saiu do meu controle”.

Shantal lamentou que todo seu constrangimento no momento mais especial de sua vida tenha se tornado público. “Não queria que o parto da minha filha se tornasse público. Por ser uma experiência tão ruim, não queria que ela tivesse essa história pra contar. Mas quando vieram outras vítimas, vi que não foi apenas o meu caso. Era recorrente, acontecendo com outras mulheres, coisas muito mais graves, não tinha como abafar. Mas o contato que eu mais esperava ter recebido era o dele. Reconhecendo seu erro e tentando consertar”, diz.

Shantal denunciou Renato Kalil por violência obstétrica no parto natural de sua filha, Domênica. Na ocasião, enquanto estava em trabalho de parto, a influencer chegou a ser chamada de ‘viadinha’ pelo médico.

O caso se tornou público quando um áudio e alguns vídeos do parto começaram a circular na internet. Neste material, Shantal fala e mostra supostas cenas de violência obstétrica durante o parto. Nos registros, feitos com uma Go Pro pelo marido da influencer, Matheus Verdelho, o ginecologista e obstetra Renato Kalil aparece soltando alguns palavrões enquanto pede para a gestante fazer força.