ExclusivoVendedor preso injustamente após flagrante do ‘Brasil Urgente’ perde ação contra Datena

Prisão do rapaz aconteceu após imagens dele serem divulgadas pelo programa Brasil Urgente

Fábia Oliveira
Colunista do EM OFF

Datena acaba de ter uma vitória na Justiça, no processo movido pelo vendedor Luiz Guilherme Leão. O profissional trabalhava há cerca de dois meses em uma loja de autopeças, quando em 27 de março de 2019, foi surpreendido pela polícia em seu local de trabalho, tendo sido informado que seria levado para o DEIC (Departamento de Investigações sobre Narcóticos). Na ocasião, Luiz foi autuado em flagrante e ficou algumas horas detido no DEIC.

A prisão do rapaz aconteceu após imagens dele serem divulgadas pelo programa Brasil Urgente, que mostrou o momento de um flagrante de desmanche de carros. Logo que chegou à carceiragem, Luiz Guilherme Leão foi questionado pelos outros presos se ele não era o ladrão de carros que participou de um desmanche e passou no programa de Datena. Após ser solto, foi informado por sua família que o Programa Brasil Urgente teria apresentado sua imagem em uma reportagem contendo uma série de informações mentirosas ao seu respeito. Datena teria afirmado que o vendedor participou do desmanche de carros.

O profissional alega que, em virtude de todo o constrangimento ao qual foi exposto, passou meses sem conseguir um emprego, visto que o programa em que sua imagem foi veiculada é exibido em rede nacional, além de ter tido sua vida pessoal afetada. Por estas razões, Luiz entrou na Justiça buscando uma indenização no valor de R$ 156 mil. Pediu, ainda, que a Band, que também consta como ré no processo, fosse intimada a lhe entregar um arquivo com a reportagem completa.

Mas uma decisão do último dia 13 de junho, a juíza Fernanda Rossanez Vaz da Silva entendeu que o pedido de Luiz por uma indenização era descabido e improcedente. Isso porque, analisando a reportagem, entendeu que a Band e Datena apenas exerceram seu direito à liberdade de imprensa, sem extrapolá-lo em qualquer momento. A imagem do vendedor teria sido captada em espaço público, onde estava ocorrendo o fato noticiado.

Além disso, na reportagem não haveria menção a fatos falsos ou deturpação do contexto em que se deu a prisão do Luiz Guilherme. O juízo sustentou ainda que em nenhum momento os réus acusaram o profissional de integrar uma quadrilha que atuava no desmanche de carros roubados. Não suficiente, o nome de Luiz não foi falado em momento algum durante a veiculação da matéria.