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TRISTEZA

Alinne: a influenciadora que morreu vítima dos haters da internet

Alinne Araújo tirou a própria vida por não suportar as críticas e ataques de seguidores em suas redes sociais após se casar consigo mesma

Danilo ReenlsoberRepórter do EM OFF

Presença bastante comum nas redes sociais, os haters (termo usado para classificar pessoas que postam comentários de ódio ou críticas sem critério) se alastram com rapidez na internet. Qualquer post no Twitter, Instagram ou Facebook logo pode se tornar alvo desses experts em odiar. O problema que pode parecer superficial, na verdade, traz riscos muito mais sérios.

Em 2019, a influenciadora e youtuber Alinne Araújo foi uma das vítimas do haterismo, movimento que tem se tornado endêmico na internet. Há dois anos, ela se tornou famosa devido à uma infelicidade pessoal: foi abandonada pelo noivo, Orlando Costa, apenas um dia antes da data do casamento do casal. O término foi por mensagem de texto.

Apesar de abalada com o inesperado fim da relação, Alinne não se deixou abalar. Com a cerimônia marcada e a festa devidamente paga, ela resolveu manter o casamento. O noivo? Não havia. A influenciadora se casou consigo mesma no dia 14 de julho de 2019.

Críticas na internet

Apesar de parecer que a história teria um final feliz, não foi isso o que aconteceu. Alinne, que sofria de depressão e passava por tratamento médico de psicólogo e psiquiatra, tirou a própria vida apenas um dia depois da cerimônia, em 15 de julho, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.

A youtuber recebeu uma enxurrada de críticas e comentários maldosos dos tais haters da internet. Ao compartilhar os preparativos para o casamento solo com os seguidores, ela recebeu uma série de ataques de pessoas a acusando de criar uma “fanfic”, ou seja, de inventar a história. “Toma seu biscoito” disse uma seguidora. IGs de fofoca também ajudaram nesse ódio contra Alinne.

Agora vocês tão querendo mandar o jeito que eu vou sentir minhas coisas agora também… Ah, pronto. Podem criar a fanfic que vocês quiserem na suas cabeças. Eu não tô nem aí para vocês haters…”, desabafou Alinne em suas redes sociais. “Fui pega de surpresa, quis morrer, ele sempre soube da minha condição e não se importou em como eu estaria“, ressaltou sobre o fim da relação.

Haterismo

Segundo Issaaf Karhawi, pesquisadora em comunicação digital na USP (Universidade de São Paulo), a violência parece já ter sido naturalizada nas redes, o que faz com que os haters ganhem força. “Atrás da tela do computador, o sujeito não é visto, não é interceptado e, por isso, assume que pode proferir ofensas, disseminar discurso de ódio“, explicou.

Ainda segundo a especialista, mesmo mais de 30 anos após a criação da internet, ela ainda é vista como “Terra sem Lei”. “E isso também tem consequências na forma como os sujeitos lidam com o outro na rede, com a diferença, com as animosidades. É como se injúria, calúnia ou difamação tivessem permissão de acontecer no digital“.

Orlando falou pela primeira vez sobre o episódio no dia seguinte da morte de Alinne Araújo. Antes de fechar o perfil nas redes sociais, o rapaz contou que se relacionou com a influenciadora por dois anos. “Eu não existo mais, estou acabado”, escreveu na ocasião.

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