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Multado

Apresentador Gilberto Barros é condenado após falas homofóbicas

Gilberto Barros fez comentários homofóbicos durante seu programa na internet e, por causa disso, foi multado

Aline TorresRepórter do EM OFF

Atualmente, falas preconceituosas podem render um belo prejuízo aos homofóbicos. Foi o que aconteceu com o ex-apresentador Gilberto Barros, conhecido também como Leão. O comunicador foi condenado pela Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania de São Paulo após fazer comentários homofóbicos durante seu programa “Amigos do Leão”, segundo o jornal Folha de São Paulo.

A condenação foi emitida com base na Lei Estadual 10.948, de 2001, que prevê que casos de homofobia e transfobia sejam punidos administrativamente, o que foi o caso de Gilberto Barros. Ele foi condenado a pagar multa no valor de R$ 32 mil. No entanto, a defesa do comunicador ainda pode entrar com recurso. Leão não quis se pronunciar até o momento.

As falas do apresentador aconteceram durante um episódio de seu programa no YouTube no qual ele falava sobre os 70 anos da televisão no Brasil. Ao comentar sobre o período em que trabalhou na Rádio Globo, comentou que tinha que presenciar “beijo de língua de dois bigodes”, porque havia uma boate em frente ao local, que era frequentado pelo público LGBTQIAP+.

Além disso, Gilberto Barros continuou a desferir ofensas ao público gay e ainda ameaçou agredir se caso visse dois homens se beijando: “Não tenho nada contra, mas eu também vomito. Eu sou gente, ainda mais vindo do interior. Hoje em dia, se quiser fazer na minha frente, faz. Apanha os dois, mas faz”, falou na ocasião.

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A Comissão Especial de Discriminação Homofóbica, subordinada à Secretaria, foi quem aplicou a condenação após denúncia do jornalista e ativista das causas LGBTQIAP+, Willian de Luca. Na sentença, a decisão diz: “Os comentários proferidos pelo denunciado [Barros], inclusive, num tom pejorativo e de aversão, foram preconceituosos e ofensivos, atentando à honra e dignidade da pessoa humana”, afirmou a comissão.

O documento também lembrou o interesse do apresentador querer partir para a violência caso encontrasse duas pessoas do mesmo sexo se beijando: “incitando o ódio e violência contra a população LGBTQIA+ e atribuindo uma conotação negativa e de repúdio à demonstração de carinho entre pessoas do mesmo sexo”, relatou ainda a comissão.

Ao falar sobre o fato de que a defesa do apresentador levantou para conseguir a vitória da causa, afirmando que Gilberto teria amigos LGBTQIAP+ e que o comentário não designado a alguém especifico, o documento refutou: “Irrelevante o fato de o denunciado conviver diariamente e ter laços de amizade com pessoas das mais diversas orientações sexuais”.

O ex-apresentador da Band ainda tentou se defender afirmando que o comentário fez referência a uma época passada, no caso, nos anos 80, periodo em que trabalhou na Rádio Globo, como dito anteriormente, mas não foi acatado pela comissão: “Verificamos que, mesmo assim, seus comentários vieram permeados de preconceito”, finalizou a sentença.

O responsável pela denúncia, Willian de Luca, falou sobre a condenação e diz acreditar que houve um cumprimento do “papel didático” no caso: “Espero que Gilberto Barros aprenda com a decisão e que ela sirva de lição para outras figuras que insistem em tratar a intolerância contra [a comunidade] LGBT como ‘liberdade de expressão'”, disse à Folha.