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Muitas emoções

Carla Diaz fala sobre seu papel como Suzane: ‘Não contive as lágrimas’

Adaptação dupla para o cinema teve que ser adiada para o segundo semestre de 2021 devido à pandemia de Covid-19

Aline TorresRepórter do EM OFF

A atriz e ex-BBB21 Carla Diaz é protagonista de dois filmes polêmicos sobre um dos assassinatos mais emblemáticos da história criminal do Brasil. Ela interpreta Suzane Von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão por matar os pais junto com os irmãos Cravinhos.

Em entrevista para o jornal O Globo, a atriz falou sobre como foi o processo para a formação da personagem e o que aconteceu quando fez o teste para os dois filmes, “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino que Matou Meus Pais”. Ambos os filmes tiveram a data de estreia adiada por conta da pandemia de Covid-19.

Carla contou que só ficou sabendo dos testes para os filmes um ano depois que eles se iniciaram. Mesmo assim resolveu se inscrever. “Fiz um monólogo baseado nos autos do processo. Quando terminei, ficou o maior silêncio no estúdio e pensei: ‘Ih, tá uma merda’. No dia seguinte, o produtor e o diretor me disseram: ‘Tem que ser você, e correndo, as gravações vão começar’. Pela primeira vez faço uma personagem baseada num caso real e que está viva”, contou.

Para construir a personagem, a atriz teve que estudar os autos do processo e assistir as mais diversas reportagens sobre o caso:

“Para o teste, reestudei o caso, li matérias, entrevistas, vi documentários. Muita coisa, aliás, era fake news. Fiquei focada no jeito como Suzane falava, em sua postura. Ela tinha personalidade forte, um jeito doce para falar, um olhar de baixo pra cima, uma postura fechada, contida, fruto de criação alemã, rígida. Minha construção foi baseada na leitura corporal. Quando fui aprovada, a produção me passou reportagens de TV e jornais, entrevistas, tudo que tinha saído na imprensa”, explicou na entrevista.

Carla Diaz ainda explicou que o que mais a ajudou foram os workshops de Ilana Casoy, escritora e criminóloga, sobrinha de Boris Casoy e prima de Serginho Groismann. Ela esteve presente em todo o processo do caso de Suzane Von Richthofen, inclusive na reconstituição do crime e julgamento.

A atriz ainda afirma que teve de se afastar dos julgamentos pessoais, principalmente pelo fato de que, no filme, a personagem principal estar humanizada:

“Quando soube que a personagem era minha, tive que me distanciar do meu julgamento pessoal para conseguir interpretá-la sem fazer juízo de valor. Afinal, assim como todo mundo, fiquei muito chocada com o que ela fez. Como Suzane era, só quem a conheceu pode dizer. Me baseei nos roteiros, nas informações dos autos do processo, no que ela falou no tribunal. São duas Suzanes diferentes: uma que, na versão dela, divide a culpa com o namorado; a outra, que é culpada por ele. Não sei qual se aproxima mais da verdade”.

Ao falar da cena mais difícil, a ex-Chiquititas disse que foi o julgamento do crime, pois usou falas da própria Suzane em vez de frases criadas pelos roteiristas. “Ali, falo coisas que saíram de sua boca e não coisas que contaram que ela disse. Passei por um estado emocional que nunca tinha vivido como atriz. Nem pessoalmente. Tivemos acesso a tudo que aconteceu ali, e reproduzir foi impactante. Acho que a ficha caiu. Quando sentei na cadeira para fazer a cena do depoimento, não contive as lágrimas”, confessou a ex-BBB21.