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Como vive atualmente Guilherme de Pádua, assassino de Daniella Perez

O ex-ator chegou a ser preso, mas se encontra em liberdade; crime completa 30 anos e ainda gera comoção pela brutalidade

Danilo Reenlsober
Repórter do EM OFF

Há 30 anos, um crime chocava o Brasil. A atriz Daniella Perez, filha da escritora Glória Perez, foi assassinada aos 22 anos com 18 golpes de faca. O corpo da atriz, encontrado em um matagal na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, demonstrava que ao menos oito facadas atingiram diretamente o coração da jovem, que não teve nenhuma chance de se defender. As investigações apontaram que a morte poderia fazer parte de um ritual.

O assassino confesso da atriz foi Guilherme de Pádua, também ator, com quem Daniella contracenava na novela “De Corpo e Alma”. A atriz havia deixado as gravações da produção normalmente naquele 28 de dezembro de 1992. Casada com o ator Raul Gazolla, a artista fazia par romântico com Guilherme no folhetim, exibido entre agosto de 1992 e março do ano seguinte.

Daniella deixou o estúdio Tycoon, no Rio, onde gravara cenas da novela, em seu carro, um modelo Escort, e foi seguida por Guilherme de Pádua e Paula, dentro de um Santana. Horas mais tarde, Daniella foi encontrada morta num terreno baldio perto da Rua Cândido Portinari, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, com diversas perfurações no peito e no pescoço.

Frio, Guilherme de Pádua chegou a consolar Glória Perez e o marido de Daniella horas depois do assassinato. Em seguida, ele foi preso e confessou o crime. Paula Thomaz, esposa do assassino na época, também participou do crime. Ambos foram condenados: Paula foi condenada a 18 anos e meio de prisão, enquanto Guilherme obteve pena de 19 anos. Ambos saíram da prisão antes de cumprirem sete anos de pena, em 1999.

Guilherme hoje

Pouco tempo após a prisão, Guilherme de Pádua se separou de Paula Thomaz. Logo depois de deixar a cadeia, em 1999, o assassino da única filha de Glória Perez foi morar em Minas Gerais com os pais. Ele também se converteu a religião evangélica. Hoje, segundo o Jornal O Globo, Guilherme é pastor da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.

Em 2016, com mais de 15 anos de vida cristã, Guilherme de Pádua decidiu entrar no seminário para estudar teologia. Em 2017, ele se casou pela terceira vez com a maquiadora Juliana Lacerda. Enquanto isso, Paula Thomaz, que era esposa dele na época, mudou o sobrenome e hoje atende como atende como Paula Peixoto, se casou com o advogado Sérgio Peixoto e vive de maneira mais discreta.

O assassino de Daniella, por sua vez, sempre se mostrou ativo nas redes sociais. Por anos, Guilherme manteve uma conta ativa no Instagram, onde reunia mais de 40 mil seguidores, além de um canal no YouTube. Ambos os perfis foram desativados em 2020, quando Guilherme voltou a ganhar destaque na mídia ao participar de um ato a favor do presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília. Na época, Bolsonaro conclamava seus apoiadores a irem às ruas contra o isolamento social.

O assassino de Daniella Perez hoje é pastor evangélico (Reprodução)

Apoiador de Bolsonaro

Guilherme ouviu o chamado do presidente e se pronunciou. “Esses políticos corruptos, esses esquemas de tetas públicas que o pessoal fica só explorando o povo brasileiro, e o dinheiro e as melhorias não chegam na mão do povo, não chegam na vida do povo”, disse o apoiador de Bolsonaro nas redes sociais. “Se Deus quiser, o Brasil vai mudar.”

No mesmo ano, o assassino voltou a se pronunciar na internet, endossando o discurso bolsonarista nas eleições municipais. “Quem está decidindo as eleições não são os radicais, nem de direita nem de esquerda. São os moderados, aqueles que querem um Brasil melhor, que querem um Brasil pacificado. Então, seja quem ganhar parece que a chance é maior do Bolsonaro”.

Guilherme de Pádua durante evento pró-Bolsonaro (Reprodução)

Ritual satânico?

De acordo com o jornal O Globo, depois confessar o assassinato de Daniella Perez, Guilherme e Paula tentaram fazer a polícia acreditar que o crime não tivesse sido premeditado, como se a morte brutal da atriz tivesse ocorrido em meio a uma briga. Mas a perícia policial não apenas desconstruiu a hipótese como também levantou diversos indícios de que ela teria sido executada num ritual macabro.

A hipótese não foi comprovada, mas, para muita gente, os elementos revelados na investigação deixaram a dúvida no ar. Legistas diriam que a cena do crime tinha elementos de ritual satânico. O assassino insistia que matara a colega de novela porque ela o vinha assediando. Ele disse à polícia que matou Daniella em meio a uma discussão raivosa.

Esta versão, porém, não convenceu os investigadores. A polícia não encontrou nenhum indício de briga. A constatação levava a crer que Daniella já estivesse inconsciente quando começou a receber a sequência de golpes. “O corpo da moça não apresentava lesões de defesa, o que é raríssimo quando a vítima está sendo agredida”, disse o então diretor da Polícia Técnica, Talvane de Moraes.

Guilherme disse que as estocadas foram aplicadas com uma tesoura. Os legistas, porém, apontaram que as lesões apontavam o uso de um punhal, o que reforçava a ideia de que Daniella havia sido morta num ritual. Além disso, o corpo da atriz foi encontrado no interior de um círculo queimado dentro do matagal, perto de pequenos ossos de animais. Na palma da mão direita da atriz, havia uma mancha avermelhada causada por substância não identificada. Os ferimentos observados no peito da vítima formavam um círculo ao redor de seu coração.

Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez | Trailer | HBO Max