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VIROU RÉU

Enfermeiro que cuidou de Gui Pagnoncelli relata ostentação em hospital

De acordo com enfermeiro que atendeu influencer, rotina dentro do hospital era luxuosa

Danilo ReenlsoberRepórter do EM OFF

O influenciador Gui Pagnoncelli, que virou réu pelo crime de estelionato, vivia uma verdadeira vida de rei no quarto de hospital no qual esteve internado para tratar de um câncer raro no estômago. No cardápio, bebidas como champanhe e iguarias como caviar, para ele e os amigos. O influencer é acusado de fraude, já que teria enganado internautas ao pedir dinheiro para uma cirurgia que nunca foi feita.

A denúncia da “ostentação” praticada por Gui Pagnoncelli dentro do hospital foi feita pelo enfermeiro Fabian Batista, que já atendeu o influencer diversas vezes durante sua internação. Em seu perfil no Instagram, o profissional de saúde fez um longo desabafo, no qual criticou o influencer e o chamou de “vigarista”.

A casa caiu né Gui? Demorou mas caiu, seu vigarista de merd*, fazendo da sua doença um meio de ostentação regado por champanhe e iguarias caríssimas como caviar dentro de um quarto de hospital com seus amigos“, começou o seu relato o enfermeiro. “Você fez com que muitos funcionários fossem demitidos pela sua soberba e mau caráter que você sempre foi“.

No texto, Batista dá detalhes das atitudes de Gui Pagnoncelli dentro do hospital. “Nunca neguei a minha assistência como profissional, quando era escalado para servir o príncipe, porque você não queria assistência de um profissional de saúde, você queria um empregado à duas ordens!”, revelou o profissional que, de acordo com informações de amigos, foi demitido do hospital onde o influencer fazia seu tratamento e enfrenta uma depressão desde então.

Mas o mundo gira, e dessa vez ele não girou, ele capotou e você tá f*dido pra prestar conta à PF [Polícia Federal] e ao MP [Ministério Público], onde você, sua mãe e sua irmã que são suas cúmplices nesse golpe milionário que vocês gastaram tanto dinheiro pra uma cirurgia que nunca iria acontecer“, continuou. “Que você pague cada centavo que você roubou de quem te ajudou imaginando que você era uma boa pessoa. O que eu sinto por você é pena, o pior sentimento que um ser humano pode sentir por outro“, encerrou.

Entenda o caso

A Justiça de Alagoas tornou o influenciador digital Gui Pagnoncelli réu pelo crime de estelionato no dia 3 de maio. A denúncia foi ofertada pelo Ministério Público e corre em segredo de justiça, mas o EM OFF teve acesso com exclusividade a trechos do documento. O influencer também está sendo investigado por falsificação de laudos médicos.

A Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) da Polícia Civil de Alagoas iniciou uma investigação em 2020, após denúncia de fraude praticadas pelo influenciador. Além de ter se tornado réu, ao menos dois médicos questionam informações repassadas à Justiça por Gui Pagnoncelli. No documento, consta um relatório médico cuja “emissão é desconhecida do médico supostamente subscritor”.

O documento ainda aponta que “o agravado [Gui Pagnoncelli] faz uso de efetivos meios escusos, em tentativa de ludibriar o juízo , para obter o deferimento de medida liminar em seu favor, sendo capaz, até mesmo, de forjar relatórios médicos para supostamente comprovar uma necessidade e um direito que não existem”.

O caso envolvendo Gilson Wagner da Silva (mais conhecido como Gui Pagnoncelli) teve início quando o jovem foi diagnosticado com um câncer raro no estômago. O influencer criou uma vaquinha online para que pudesse fazer exames nos Estados Unidos e, em menos de 24 horas, ultrapassou a meta, arrecadando mais do que seu pedido inicial, que era de R$ 50 mil.

Em 2019, ele postou vídeos nos stories nos quais alegava estar perdendo a luta para o câncer e, segundo denúncias de usuários, chegou a reutilizar fotos antigas de procedimentos e internações. Ele abriu, no total, cinco vaquinhas online e arrecadou mais de R$ 300 mil, valor que seria utilizado para fazer a cirurgia contra o câncer. O procedimento, no entanto, nunca foi realizado.

O EM OFF procurou o influencer pelo telefone, mas até o fechamento desta reportagem, ele não respondeu nossas chamadas. O espaço segue aberto.

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