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EXCLUSIVO Ex-BBBs faturam promovendo medidas que violam diretrizes do Instagram

Nomes como Vyni, Natália, Laís e Viih Tube divulgam empresas que prometem dinheiro fácil aos seguidores

Danilo ReenlsoberRepórter do EM OFF

Com o fim do BBB22, uma nova leva de ex-participantes do reality show chegam às redes sociais com a ideia de se manter relevante perante o público e encher a conta bancária com propagandas. Algumas delas, no entanto, chamam a atenção ao prometer dinheiro fácil aos seguidores apenas assistindo vídeos na internet. Mesmo que não seja ilegal, a medida pode ir contra as diretrizes do Instagram.

Nomes como Marcus Vinicius Fernandes de Sousa, o Vyni, Natália Deodato e Laís Caldas, todos recém saídos do programa, costumam aparecer na rede social divulgando formas de ganhar dinheiro fácil. “Não é marketing multinível, não precisa ter medo”, escreveu o amigo de Eliezer nos stories. “Você vai ganhar para assistir vídeo, então não perde tempo”, ressaltou Natália.

Uma pesquisa realizada pela DigiLabour, laboratório de pesquisa que produz investigações em torno das conexões entre mundo do trabalho, comunicação e tecnologias digitais, apontou que esse tipo de publicidade pode estar relacionada às chamadas “fazendas de cliques”, prática que o Instagram entende como violação das diretrizes da plataforma.

Segundo o estudo, apesar das interações serem reais, os ganhos com esse tipo de trabalho são irrisórios. O DigiLabour aponta que as fazendas de cliques pagam algo como R$0,006 por cada ação realizada, ou seja, menos de 1 centavo. Com uma remuneração baixa, os próprios trabalhadores criam contas falsas, que são suspensas pelo Instagram, já que vistas como irregulares. Assim, os usuários deixam de ganhar os valores prometidos.

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Publicidade questionável

De acordo com Issaaf Karhawi, pesquisadora em comunicação digital na USP (Universidade de São Paulo), esse tipo de “publicidade questionável” está se proliferando nas redes sociais e deve ser vista com atenção não apenas pelos seguidores, mas também pelos próprios influenciadores. Ao EM OFF, a especialista explicou o que leva muitos influencers a decidir por esse tipo de publicidade duvidosa.

“O ponto desse tipo de publicidade é que muitos participantes saem do programa desconhecendo a dinâmica de funcionamento da publicidade, das redes sociais, do marketing de influência e sem entender o que é uma boa publicidade, como fazer uma boa publicidade”, disse. “No fim das contas, a atuação com influenciador digital vai exigir um tipo de habilidade bastante específica”.

Segundo a pesquisadora da USP, isso faz com que muitos ex-participantes do Big Brother Brasil saiam da casa e acabem formando parcerias comerciais duvidosas, construindo equipes que também estão aprendendo a lidar com esse mercado. “Tem uma série de fatores que podem levá-los a parcerias que o público pode entender como duvidosas”.

Para Issaaf, esse tipo de publicidade não é ilegal, mas pode prejudicar a reputação de influenciadores. “Uma coisa que é muito discutida em agências de influenciadores é justamente a escolha das relações com as marcas, porque isso vai afetar diretamente a reputação do influencer, na relação que ele constrói com seus seguidores. Cada escolha impacta na reputação, e cada escolha errada impacta negativamente”.

Contraditório

Como exemplo, a pesquisadora cita a ex-BBB Natália Deodato e a influenciadora Viih Tube. “A Nat aparece fazendo propaganda dessas empresas e, no dia seguinte, surge como garota-propaganda das Americanas, um contrato muito legal para a carreira dela. A mesma coisa Viih Tube, uma influenciadora com uma carreira sólida. Então, acho que são escolhas. Há muita instabilidade nesse mercado”.

O EM OFF procurou os ex-BBBs Vyni, Natália, Laís e Viih Tube para comentar sobre quais são os critérios para as publicidades e se conhecem as empresas que pregam dinheiro fácil aos seguidores, mas nenhum deles respondeu aos nossos questionamentos.

Não é a primeira vez que Viih Tube se envolve em uma polêmica parecida. No mês passado, o EM OFF mostrou que a ex-sister ganha dinheiro ao fazer propaganda de um site de apostas, que promete pagar seus usuários por meio de apostas do tipo cassino. O aplicativo não possui atendimento ao público nos canais brasileiros, como PROCON, e possui inúmeras reclamações no Reclame Aqui.