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Gloria Groove recusou proposta milionária de empresa homofóbica

Cantora fez desabafo durante o lançamento do single “Leilão”.

Paulo Henrique LimaRepórter do EM OFF

Junho, mês em que é celebrado o Orgulho LGBTQIA+, muitas empresas acabam levantando a bandeira e demonstrando apoio à comunidade. No entanto, uma marca ouviu sonoro “NÃO” após fazer oferta milionária para ter a cantora Gloria Groove em uma campanha que seria direcionada no período. A recusa se deu após a artista perceber que seria usada em uma jogada de marketing para limpar a imagem da tal empresa.

Em conversa com jornalistas durante o lançamento do single “Leilão”, o terceiro do segundo álbum de estúdio da drag queen intitulado “Lady Leste”, ela revelou que costuma pesquisar e selecionar bem suas propostas publicitárias. De acordo com a artista, sua luta contra a homofobia deve ocorrer sempre. “Não é só sacudir o saquinho de dinheiro”, disparou a famosa.

“Um coisa que fosse posicionada de uma forma completamente escrota, homofóbica ou qualquer outra problemática acerca de outra minoria, não. Eu entendi na hora que estavam querendo me contratar para poder passar um paninho. Esse não foi para que essa indústria entenda que a gente não tá aqui pra ficar abaixando as calças. Não é só sacudir o saquinho de dinheiro na minha cara que eu vou sair correndo”.

Gloria Groove também disse que “liga o botão do f*da-se” para ignorar críticas de haters e homofóbicos. A artista relatou que na infância, principalmente na escola, foi alvo de ataques de cunho preconceituoso. Quando iniciou a carreira como drag queen e cantora, a artista foi desacreditada de que um dia faria sucesso na indústria fonográfica brasileira.

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“Desde que eu apareci na indústria já está apertado. Só de ser drag queen, eu tenho que ter o botão apertado, senão não dá certo. Imagina? No Brasil bolsonarista, o meu botão tem que estar apertado todo dia”, desabafou a cantora, que já lançou “Bonekinha” e “A Queda” como parte do álbum. A chegada do novo trabalho da artista nas plataformas digitais ainda não foi divulgada.

“É previsível, eu fui viado a vida inteira, o bullying para mim não é uma novidade. Todo mundo que é gay me entende nessa questão, óbvio que na época de escola eu ficava triste. Hoje eu já fico mais tranquilo, o ódio hoje chega de outro jeito e em outra linguagem, fora que ele é destilado em pequenos espaços“, disse. A artista também fez uma reflexão sobre os ataques.

“Tem muitas pessoas que pensam que estão naquela ilusão que eu também já estive de ‘ai estou vendo várias carreiras, estou vendo um filme, vou comentar como se elas nunca fossem ler, como se eu não pudesse machucar ninguém’. Eu já estive desse lado, então sei que é tudo uma grande ilusão. Hoje a opinião ela não é pedida e mesmo assim ela é dada. Eu trago muita insegurança, muitos machucados também. E as pessoas, elas sabem aonde te culpar, sabem aonde deixar você mal”, concluiu.

“Leilão” chegou ás plataformas digitais de música na noite de quinta-feira (25). Um dia depois, a música ganhou um clipe produzido que já conta com mais de 1,4 milhão de visualizações. A produção, disponível no YouTube, está em terceiro nos vídeos em alta no Brasil.

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