ExclusivoLuiza, ex-dupla de Maurílio, acusa empresário de desviar mais de R$ 2 milhões

Cantora sertaneja diz que recebia apenas R$ 2.500 por mês, apesar de possuir contratos milionários com gravadoras

Danilo Reenlsober
Repórter do EM OFF

A cantora Luiza Martins, que fazia dupla com Maurílio, morto em dezembro de 2021 após ser diagnosticado com tromboembolismo pulmonar, processou a empresa Workshow Produções Artísticas, empresa que representa diversos artistas sertanejos. Na ação, a artista alega que a empresa firmou diversas parcerias em nome da dupla, mas nunca repassou os valores decorrentes desses contratos. Luíza diz ainda que recebia apenas R$ 2.500 da empresa, apesar de firmar contratos milionários com gravadoras.

No documento, Luiza lembra que assinou um contrato de agenciamento com a empresa em 26 de outubro de 2017, logo após a formação da dupla. Na ocasião, o empresário Wander Divino de Oliveira passou a cuidar da carreira dos artistas e negociar contratos futuros e apresentações musicais. A cantora reforça, no entanto, que na época em que assinaram o contrato com a Workshow, não foram assistidos por um advogado.

Ainda segundo a cantora, a empresa firmou uma série de parcerias envolvendo o nome da dupla, incluindo as gravadoras Som Livre, RGE e Zende. Os valores decorrentes desses contratos de exclusividade, afirma a defesa de Luíza, jamais foram repassados aos artistas. “Tais valores era pagos à Workshow (…) que, por sua vez, deveria proceder aos pagamentos e repasses à Luiza e ao Sr. Maurilio”.

A defesa da sertaneja, porém, afirma que “há fortes evidências de que Luiza não recebeu os valores a que faria jus em razão do Contrato de Licenciamento”. Os advogados da cantora ressaltam que solicitaram informações sobre a prestação de contas a respeito dos valores recebidos ao empresário, mas que elas jamais foram apresentadas. A Workshow foi a responsável por agendar uma série de shows.

O documento, ao qual o EM OFF teve acesso com exclusividade, aponta que a Workshow “deveria repassar parte das quantias recebidas a título de pagamento” aos cantores. Assim, Wander teria direito a grande parte dos valores dos contratos (50%), enquanto Luíza e Maurílio tinham direito a apenas 20% dos ganhos cada. Os 10% eram destinados a outro empresário, Paulo Henrique Borges Trindade, que morreu em 2019.

“É crucial destacar que o Contrato de Agenciamento previa que, enquanto o empreendimento artístico não auferisse lucro, o Sr. Wander pagaria mensalmente à cada um dos integrantes da dupla o irrisório importe de R$ 2.500,00 mensais, além do pagamento de vestuário para shows”, alega a defesa. “Apesar do sucesso que LUIZA & MAURILIO alcançavam, [Luíza] jamais recepcionou qualquer valor além dos R$ 2.500,00 referentes à ajuda de custo ajustada, sob a alegação do Sr. Wander de que, durante todos estes anos, o empreendimento artístico não teria dado lucro ainda”.

Só com a Som Livre, a defesa da cantora aponta a existência de três contratos envolvendo a dupla Luíza & Maurílio. A gravadora teria faturado cerca de R$ 1,2 milhão com a dupla e repassado à Workshow e Wander em abril de 2021 o valor de R$ 2,8 milhões como adiantamento, mas os artistas dizem que jamais viram esse dinheiro. Já entre maio de 2019 e julho de 2021, foram arrecadados mais R$ 263 mil em direitos autorais.

No processo, a cantora pede que a empresa apresente os contratos firmados que envolvam a dupla Luiza & Maurilio, incluindo com as gravadoras Som Livre, RGE e Zende, e os documentos que comprovem os valores pagos decorrentes desses contratos, além de demonstrativos financeiros e e eventuais comprovantes de transferências que possam provar que Workshow não fez os repasses adequados à dupla.

Luiza pede, ainda, que os direitos da dupla sejam devolvidos à ela e pede ainda o pagamento de uma indenização por danos morais no valor total de R$ 2.146.597,03. Além disso, a artista sertaneja também pede o pagamento de uma multa no valor de R$ 30 milhões referente ás supostas irregularidades cometidas pela empresa nos contratos firmados em nome da dupla.