Nas comunidades do Rio

Glória Perez foi a responsável por investigar detalhes do assassinato de Daniella Perez

A autora implorou por ajuda para uma das testemunhas do crime, mostra documentário "Pacto Brutal"

Lucas Cardoso
Repórter do EM OFF

Em novo episódio de Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez, a autora Glória Perez deu mais detalhes sobre a investigação do crime cometido por Guilherme de Pádua e Paula Thomaz no início dos anos 90. Em uma busca incessante por justiça e pela verdade, Glória Perez contou que fez tudo que esteve ao seu alcance para descobrir o que realmente aconteceu naquela fatídica noite de 28 de dezembro de 1992.

Ao descobrir que sua filha, Daniella Perez, foi pega de surpresa em uma emboscada de um posto de gasolina do Rio de Janeiro minutos antes do assassinato, Glória Perez decidiu que iria por conta própria atrás de mais provas que pudesse ajudar no julgamento dos assassinos. A autora contou que os frentistas que trabalhavam no posto de gasolina no momento da discussão entre o assassino e Daniella Perez, foram impedidos de comentarem sobre o assunto.

“Tudo vinha para confirmar que tinha acontecido realmente alguma coisa naquele posto. Eu comecei ir ao posto, e quando chegava lá todos corriam. Eu ia todo dia, todos os dias. Foram muitas vezes, contou Glória. Com medo que os frentistas dessem com a língua nos dentes, o gerente do posto demitiu todos os funcionários. Foi quando Glória Perez decidiu dar um passo ainda maior em sua investigação solo, e sem a ajuda da polícia, decidiu ir atrás dos frentistas nas comunidades do Rio.

“Eu tentava saber os nomes dos funcionários e o gerente dizia que não sabia. Como assim? Eles trabalharam aqui, tem que ter o nome deles, o endereço deles. É óbvio que tem. Mas ele não deu, demitiram o turno inteiro. E mais: o cheque com que Daniella pagou o combustível foi despachado para outro posto de gasolina”, contou.

“Um dia um vigia me contou que um dos frentistas moravam em uma das comunidades da Barra. […] E aí eu disse: vou procurar. Um dia paramos para tomar água e perguntamos se alguém conhecia algum frentista com essas características. […] Achamos a casa, a mãe dele bateu com a porta na nossa cara. Aí eu ví tinha chegado no lugar certo”.

“Passei a ir lá todos os dias, sentada na calçada dela pedindo por tudo. Ela dizia: fizeram isso com sua filha sendo quem você é, imagina o que irão fazer com o meu e não sairá nem no jornal. E eu sabia ela estava certa”. Após um longo período de insistência, Glória conseguiu amolecer o coração de Dona Dagmar, mãe de um dos frentistas do posto de gasolina.

Passado todo o sufoco de encontrar as testemunhas do crime, Glória Perez finalmente conseguiu levar três frentistas ao tribunal para testemunhar e contar o que realmente tinham visto naquela noite de 28 de dezembro. A presença deles no tribunal, inclusive, foi uma peça fundamental para descobrirem como Daniella foi parar num local tão afastado e deserto no momento do crime, já que eles revelaram que a atriz e o assassino discutiram no posto, e que posteriormente, o criminoso agrediu a atriz e levou ela desacordada para outro local com a ajuda de sua esposa, Paula Thomaz.