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Mais polêmica

Shows de Gusttavo Lima podem fazer parte de ‘esquema’ com governo federal

Segundo a imprensa, fundo adianta o pagamento a artistas e depois embolsa o valor cheio pago por quem contrata os shows

Danilo ReenlsoberRepórter do EM OFF

As polêmicas envolvendo o pagamento de shows do cantor Gusttavo Lima e de outros sertanejos por pequenas prefeituras ao redor do Brasil, apelidadas de “CPI do Sertanejo” nas redes sociais, ganharam um novo capítulo. A captação de verbas públicas por uma empresa que administra a carreira do famoso faria parte de um “esquema” que envolve até mesmo o governo federal.

De acordo com o portal DCM, a One7, fundo de investimentos que administra a carreira de Gusttavo Lima e outros artistas venceu uma concorrência pública para receber a quantia de R$ 320 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que, em tese, empresta dinheiro para pequenos e médios empreendedores do Brasil.

“A One7 é um fundo de investimentos que fechou contrato milionário com Gusttavo Lima no auge da pandemia, comprando a administração da carreira dele por R$ 200 milhões. Desde então, é ela quem cuida das negociações – embora a agenda de shows, logística e locais continue nas mãos do cantor. E ela tem parcerias pra lá de estranhas com o setor público”, afirmou o portal.

A One7 foi criada em 28 de dezembro de 2018, poucos dias antes da posse de Jair Bolsonaro (PL) como presidente. Há cinco meses, o CEO do fundo, João Paulo Fiuza, compartilhou em seu Linkedin uma comemoração. “Muito honrado com a seleção da One7 no edital do BNDES que avaliou o potencial de 73 empresas em relação ao alcance de MPMEs em busca de crédito, fortalecendo nosso propósito de impactar positivamente a vida das pessoas”.

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Na prática, o fundo que investiu R$ 200 milhões para cuidar da carreira de Gusttavo Lima recebeu R$ 320 milhões do governo federal para fazer empréstimos a pequenos e médios empreendedores. A One7 mantém contratos com diversas prefeituras ao redor do Brasil e também é a responsável por negociar shows de Gusttavo Lima que serão pagos com dinheiro público por valores considerados muito acima do praticado no mercado.

O assunto repercutiu. De acordo com a revista Veja, “One7 e a empresa de organização de shows Four Even lançaram um fundo de direitos creditórios que adianta o pagamento de espetáculos a artistas, com desconto, e depois embolsa o valor cheio pago por quem contrata os shows”. Além de Gusttavo Lima, que antecipou 192 shows, o fundo já é dono de shows de Cesar Menotti e Fabiano, Sorriso Maroto, Dubzdogs, Vintage Culture, Clayton e Romário e Junior Marques.

As informações viraram assunto nas redes sociais e foram alvo de muitas críticas por parte dos internautas. “Então o fundo que administra a carreira do Gusttavo Lima pegou R$ 320 MILHÕES no BNDES? 320 MILHÕES DE REAIS!! Qual foi o critério? Assim até eu compro mansão, iate, frigorífico, helicópteros, jatinho etc etc”, ironizou Thiago Brasil em uma publicação no Twitter.

“Vamos juntar os fatos: 1. Empresa One7 (17) foi criada no governo Bolsonaro; 2. BNDES dá “empréstimo” de 320 milhões p/ One7 (17); 3. One7 (17) financia carreira de Gusttavo Lima e Cia; 4. Gusttavo Lima e Cia faz propaganda para Bolsonaro”, explicou outro internauta. “É assim, nenhum famoso apoia Bolsonaro de graça, sempre tem dinheiro público envolvido nesse apoio. O povo que se lasque”, disse outro.