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LGBTfobia

VÍDEO: Modelo desabafa e diz ter sido vítima de transfobia em canal de TV

A apresentadora Ariana Paes alega que foi impedida de usar o banheiro feminino pela direção da TV Maskate

Danilo ReenlsoberRepórter do EM OFF

A modelo trans Ariana Paes, de 24 anos, acusa a Maskate TV, de Manaus (AM), de transfobia. A artista manaura afirma que foi impedida pela direção da emissora de TV da capital amazonense de utilizar o banheiro feminino. Além disso, em vídeos que a própria modelo compartilhou nas redes sociais, um funcionário diz que ela só poderia usar o ambiente após apresentar uma carteira de identidade comprovando seu nome social.

Nas imagens que circulam nas redes sociais, um funcionário afirma que ela só poderia usar o banheiro feminino quando mudasse seu nome social nos documentos pessoais. “Aqui quem faz a regra é a gente“, diz o homem. “Então continua com sua regra transfóbica“, rebate Ariana.

O funcionário diz então que “acabou o programa“. Ao dizer que iria processar a emissora, o homem é enfático: “Faz o que tu quiser, aqui quem manda é a gente, tu não manda aqui“.

Ariana deu uma entrevista ao EM OFF e falou sobre as cenas de LGBTfobia. A modelo já tinha participado de gravações na TV Maskate como convidada, mas esse ano foi chamada para comandar o Sala Vip, programa com temática e debates LGBTQIA+. Em uma das gravações, ela convidou drags e outras modelos trans, o que teria gerado irritação nos bastidores.

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Levei drags, trans, pessoas fortes dentro da causa, e elas usaram o banheiro feminino, como eu. Um funcionário se incomodou e iniciou um burburinho nos bastidores da emissora. Fiquei triste com os comentários. Já que querem trabalhar com o público LGBT, podia fazer um treinamento para lidar de forma mais respeitosa“, disse Ariana.

De acordo com a modelo e apresentadora, a emissora chegou a sugerir a construção de um banheiro específico para ela e suas convidadas. “Achei uma grande palhaçada, sou uma pessoa como qualquer outra, não preciso de um banheiro diferente“, apontou a artista manaura.

Após os desentendimentos, ela e a direção da emissora fizeram uma reunião, a mesma que foi filmada pelo namorado da modelo e divulgada nas redes sociais. Nessa reunão, a empresa disse que ela não poderia mais usar o banheiro feminino. Ariana se negou a usar o banheiro masculino. “Eu sou uma mulher, as meninas que vem montadas, não vão usar o banheiro feminino“.

A modelo disse que já vem sento auxiliada por uma advogada e que vai entrar com uma ação na Justiça por crime de transfobia. Desde 2019, depois de decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), declarações homofóbicas poderão ser enquadradas no crime de racismo.

O EM OFF procurou a direção da TV Maskate por e-mail, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve nenhum retorno. Em uma resposta enviada à revista Cenarium, de Manaus, o diretor-executivo emissora, Miguel Jorge Mourão, assumiu que houve uma atitude preconceituosa por parte da empresa, mas alegou que não compactua com nenhum tipo de discriminação.

O que houve foi um pedido para ela e, principalmente, os colegas e o namorado dela não entrarem no banheiro, porque algumas funcionárias já haviam reclamado que, além dela, entravam também outros homens, que não eram trans. Por mim, ela usava o banheiro normalmente“, disse o diretor. Ele também afirmou que o programa acabou devido a falta de patrocínio.

Assista o vídeo abaixo:

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