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PODEROSO CHEFÃO

Após onda de demissões, diretor da Globo é detonado por veterano

Ali Kamel foi criticado por um ex-funcionário da Globo. O ex-contratado não gostou dos últimos desligamentos realizados na emissora

Adriel MarquesRepórter do EM OFF

Ali Kamel, diretor-geral de jornalismo da Globo, foi detonado por um ex-funcionário da emissora aberta. O ex-contratado desabafou por meio de uma publicação no Facebook, expondo o gestor de cargo sênior que ainda faz parte do canal de televisão. Após novas demissões, Tonico Duarte, ex-editor escreveu um texto criticando o executivo.

Tonico Duarte, ex-editor da Globo, escreveu: “O lead está no pé, as melodramáticas cartas de despedida do Ali Kamel. Como ele não sabe escrever, elas soam como os bolerões cafonas de Carlos Alberto ou Lindomar Castilho. Poderia resumir a coisa pra: “Tio, está com muito cabelo branco, chegou a hora de comprar um sítio e criar galinhas”. Trabalhei com Gaspar, Zé Hamilton, Chico José, Isabela e Renatão entre outros. São todos puros-sangues da profissão. Quem os rifa, um pangaré”.

O ex-funcionário da Globo descarregou toda ira, compartilhando uma nota do Notícias TV, falando sobre a demissão de Renato Machado e Francisco José. Os dois comunicadores foram desligados do Grupo Globo na última segunda-feira (29), após anos de casa. Segundo Daniel Castro e Gabriel Vaquer, Ali Kamel enviou um e-mail se despedindo dos colegas, que tinham mais de quarenta anos de emissora.

Francisco José e Renato Machado, mesmo sendo demitidos, não deixaram de receber elogios de Ali Kamel e ainda possuem projetos que serão exibidos na tela da Globo. Os colegas de trabalhos já participaram de momentos marcantes e coberturas: Copas do Mundo, ECO-92, Guerra das Malvinas, Chernobyl e os atentados em Paris. O Notícias da TV obteve acesso aos e-mails enviados para cada jornalista, de forma individual. Confira a seguir uma das mensagens encaminhadas pelo diretor-geral de jornalismo.

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De: Ali Kamel – Para: Renato Machado

A primeira vez que conheci Renato Machado pessoalmente foi em Brasília, na cobertura do impeachment de Collor, eu pelo Globo e ele pela TV. Estávamos na casa de Eliane Cantanhêde com outros tantos jornalistas e – Renato encantando a todos com suas histórias bem humoradas. Quando cheguei à Globo em 2001, ele já era apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil, programa cujo novo formato ele ajudou a criar, em 1996, com mais conversa, mais análise. Sucesso imediato, passou a pautar as redações sobre o que vinha pela frente.

Tivemos, nesse período, um contato estreito –especialmente durante as coberturas eleitorais, quando preparávamos as entrevistas que seriam feitas com os candidatos. Atento, atencioso, certeiro. Renato tem uma experiência invejável no jornalismo: BBC de Londres por dois anos, Jornal do Brasil por 14, e, na Globo, desde 1982 (com apenas um ano de afastamento, quando trabalhou para a TV Manchete). Aqui, foi repórter especial, correspondente em Londres por dois longos períodos e editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil por 15 anos”.

Cobriu de tudo: guerras, atentados terroristas, revoluções, tragédias, escândalos políticos, acontecimentos culturais, entrevistas com grandes personalidades internacionais. Poucos alcançaram tamanho êxito. Entre as coberturas marcantes das quais participou, eu destaco aquela do acidente nuclear de Chernobyl, em 1986. O stand up que fez, à beira de uma lagoa em Upsala, mostrou a qualidade do seu texto e a capacidade de explicar fenômenos complexos.

Eu cito de memória e peço desculpas pela inexatidão. Mas era algo assim: ‘A radioatividade fica presa nas águas paradas do lago, contaminando tudo, inclusive este chão onde piso. E é exatamente por isso que devo sair daqui logo’. Virou-se de costas e partiu. Algumas palavras, um gesto, e o público entendeu a dimensão da tragédia.

Renato está há cinco anos no Globo Repórter. E não me surpreende que logo o primeiro programa dele tenha sido indicado ao Emmy, na categoria Atualidade. Emprestou certamente ao programa sua experiência com o jornalismo internacional, que começou já na sua estreia na BBC, em 1967. Mas também o traquejo no manejo de temas nacionais, culturais e de comportamento. A câmera gosta dele e o público mais ainda.

A maneira cordata que deixa transparecer no vídeo é a mesma com que trata colegas e amigos. Um profissional ímpar, um colega gentil e um amigo querido. Também ele, como Zé Hamilton Ribeiro e Chico José, de quem já falei, combinou comigo a sua saída. Foi tão logo voltou de Londres. Um planejamento de longo prazo e por etapas. Segundo nosso acerto, sairia em 2020, mas adiamos para o fim deste ano por conta da pandemia. Renato deixa um legado de bom jornalismo. É um exemplo do profissional de excelência. Em meu nome, em nome da Globo e de seus colegas, muito obrigado.”

(Foto: Reprodução/Facebook)
(Foto: Reprodução/Facebook)

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