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NOVELA DAS 7

Autor de ‘Quanto Mais Vida, Melhor’ está insatisfeito com rumo da novela

Mauro Wilson revelou que o fato da Rede Globo exigir que as tramas sejam entregues prontas, impede que mudanças importantes sejam feitas

Bruno PintoRepórter do EM OFF

A pandemia do novo coronavírus, além de causar um colapso no sistema de saúde do Brasil e do mundo, acabou afetando diretamente diversas empresas dos mais variados segmentos, dentre elas, as emissoras de televisão. Com a o número de casos e mortes aumentando descontroladamente, produções precisaram ser interrompidas e novos protocolos criados para evitar ainda mais a proliferação do vírus.

Um dos setores que mais sofreu com essa crise sanitária, que ainda continua preocupando autoridades, foi o de teledramaturgia. A Rede Globo, a maior na produção de folhetins do país, não só interrompeu as gravações de tramas, precisando exibir reprises durante um bom tempo até que as produções pudessem ser retomadas, como alterou a forma de se fazer novela, o que não agradou diversos autores.

Além exigir que todos os seus colaboradores estejam devidamente vacinados, sob ameaça de demissão, e que sigam todos os protocolos, como o uso de máscara de proteção e álcool em gel, a emissora dos Marinho foi mais adiante e definiu que todas as suas novelas só serão transmitidas quando estiverem completamente gravadas ou, pelo menos, quase prontas.

A nova regra acabou sendo recebida com certa insatisfação por grande parte dos autores de novelas, que sempre tiveram a liberdade para alterar o rumo da história quando achavam necessário. A impossibilidade de mudanças, precisando ficar “preso” no que já foi feito, vem deixando Mauro Wilson, autor da novela “Quanto Mais Vida, Melhor”, um tanto quanto incomodado.

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Em entrevista divulgada pelo portal Notícias da TV, ele disse que sempre se depara com algo que inevitavelmente imagina que poderia ter sido alterado para ficar melhor: “Hoje, vendo no ar, tem coisas que acho que poderia ter feito melhor. Penso: ‘Poderia ter desenvolvido isso melhor’. É claro! Passei a vida inteira escrevendo seriados, mas eram 12 episódios, não eram 161 capítulos, uma história longuíssima em que mudanças a fazer, viradas o tempo inteiro”.

O autor não pensou duas vezes antes de se queixar da forma como precisou trabalhar como um folhetim, tendo em vista que muita coisa poderia ser modificada: “Sinto um pouco falta disso. Na verdade, quando resolvi escrever a novela, uma das coisas que me deu vontade de fazer foi a oportunidade de poder mexer na obra em continuidade, coisa que nenhum de nós conseguimos”.

Por fim, Mauro Wilson disse que, mesmo arrancando dele e dos colegas de profissão o direito de mexer nos rumos de suas trama, ficou contente com o resultado: “Estou amando a novela, amando os quatro protagonistas. Vejo a novela como se fosse um espectador comum. Esqueço tudo que escrevi, de repente estou lidando como se fosse uma novidade. Mesmo sem a oportunidade de fazer alguns ajustes, que seria o o normal, estou gostando muito”.