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E o Caso se Repete

Bolsonarista agride cinegrafista da Globo no Santuário de Aparecida

Jornalista agredido fez um boletim de ocorrência e falou de sua indignação com polícia por sequer ter conduzido o agressor até a delegacia

Bruno PintoRepórter do EM OFF

Mais um caso de violência contra profissionais da imprensa foi registrado. Leandro Matozo, que atua como repórter cinematográfico da Globo News, relatou que foi agredido por um homem que, segundo o profissional, é apoiador de Jair Bolsonaro. A agressão ocorreu enquanto Leandro fazia a cobertura da visita do Presidente da República ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.

Por meio de seu perfil na rede social Twitter, Leandro relatou como tudo aconteceu. De acordo com o cinegrafista, ao capturar imagens da fachada do Santuário, um homem começou ofendendo a equipe e a emissora de TV: “No final da tarde, nossa equipe decidiu gravar na parte externa da igreja, quando fomos surpreendidos por um apoiador do presidente Bolsonaro. Ele nos abordou com xingamentos contra a TV e não parou“.

Matozo contou que a situação ficou mais tensa ainda após ser ameaçado e, logo em seguida, ser agredido pelo homem completamente descontrolado: “Em um determinado momento, disse: ‘Se pudesse, mataria vocês’. Após essa ameaça, meu parceiro Victor Ferreira gritou para os policiais que estavam próximos. O agressor continuou me insultando e, em seguida, deu uma cabeçada no meu rosto. Meu nariz sangrou muito na hora”.

O jornalista agredido ficou indignado com o ocorrido e ressaltou a importância da imprensa no desenvolvimento de um país. Leandro e sua equipe não perderam tempo e revelaram que já tomaram as providências contra o agressor junto a justiça. O jornalista finalizou dizendo que essas pessoas não irão detê-los: “As medidas judiciais já estão em andamento. A liberdade de imprensa é essencial para o progresso desse país! Não vão nos calar!”

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Victor Ferreira, que é repórter, confirmou que abriu um boletim de ocorrência e relatou sua revolta com a polícia, que sequer levou o agressor para a delegacia: “Registramos uma ocorrência na PM, que não quis conduzir o agressor para a delegacia para não ‘prender a viatura’ no DP, alegando uma tal resolução 150. O agressor foi liberado antes mesmo que nós e ainda pegou carona no carro da da PM para voltar ao Santuário”.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) não ficou calado diante do caso e, por meio de uma nota, condenou o ato descrito como covarde: “A agressão é um ato de ataque à liberdade de imprensa. Atinge a ponta mais exposta nesse processo, que é o profissional da comunicação. Um trabalhador que, no Dia das Crianças, deixou seu filho em casa para trabalhar e é agredido de maneira covarde”.

O SJSP cobrou uma postura mais séria e rígida do governo: “O Sindicato dos Jornalistas exige da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e do governo de João Doria que esta agressão não seja relativizada ou negligenciada para que, desta forma, o agressor responda judicialmente na medida de seus atos. Exige, ainda, que episódios como esses sejam investigados com rigor e que os responsáveis sejam punidos. É urgente que se interrompa essa escala de violência contra os trabalhadores da comunicação antes que algo mais grave aconteça”.