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Treta

Bolsonaro bate-boca com humorista em entrevista ao ‘Pânico’ ao vivo

Em entrevista à Jovem Pan News, o humorista André Marinho acabou tirando Jair Bolsonaro do sério com pergunta

Augusto ViannaRepórter do EM OFF

As entrevistas do atual presidente em exercício, Jair Bolsonaro, são quase sempre marcadas por atitudes inesperadas do representante do Brasil. Na estreia da Jovem Pan News nesta quinta-feira (27), ele não fez diferente e acabou batendo boca com o humorista André Marinho ao vivo no programa “Pânico”. O artista, que é filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro, ficou conhecido por imitar Bolsonaro em um jantar com o ex-presidente Michel Temer.

Na entrevista, André Marinho chama Bolsonaro de mito de forma irônica e cita o PT (Partido dos Trabalhadores), que tem como seu principal representante, Luiz Inácio Lula da Silva, ou apenas Lula. “É uma honra revê-lo. Você que muito além de nosso Presidente da República, é um verdadeiro mito, né cara?”, começou ele. “Realmente, está todo mundo aqui muito preocupado com o retorno do PT ao poder. O PT, que vendeu o Governo para o centrão, comprou base parlamentar com emenda, tinha milícia digital para atacar o opositor e fez indicação de cunho político para o STF [Supremo Tribunal Federal] e ninguém quer ver esse horror voltar a tona”, continuou Marinho.

Ele então diz à Bolsonaro que têm uma denúncia: ”Eu tenho uma denúncia pessoal de algo mais importante de uma prática que está acontecendo direto no meu Rio de Janeiro, onde eu nasci, onde ele militou na política [refere-se a Bolsonaro], e que são vários deputados em seus gabinetes: PSB, PSOL, PT… que  estão ali roubando a torto e a direita, salários de assessor e botando no próprio bolso. Desviando dinheiro público. O PT, inclusive, é o campeão desse ranking de peculato. Então, Presidente, eu te pergunto: rachador tem que ir para a cadeia ou não?”. 

Visivelmente irritado, Bolsonaro responde a pergunta se exumando de qualquer culpa. “Eu sou Presidente da República e respondo sobre os meus atos, ok?”, questionou. Em seguida, ele diz que não aceitará ser provocado por Paulo Marinho. “Eu não vou aceitar provocação tua e você recolha-se aí o teu jornalismo”, disse Jair. O comediante intervém na fala do presidente. “Assim, o PT vai voltar”, ironizou. Bolsonaro responde citando o pai André: “O teu pai é o maior interessado na cadeira do Flávio Bolsonaro. Não vou discutir contigo”, dispara Bolsonaro. “O teu pai quer a cadeira do Flávio Bolsonaro (…) Não tem mais conversa contigo”. André Marinho debocha da situação: “Então é tigrão com humorista e tchutchuca com STF. Impressionante”.

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Declarado apoiador de Bolsonaro, o ex-BBB Adrilles entra na conversa e tece elogios à Bolsonaro: “Senhor, Presidente, é um prazer é um tesão, no sentido metafísico do termo, conversar com o senhor e recebê-lo aqui na Jovem Pan, e na inauguração dessa televisão”. Em setembro, André Marinho foi filmado imitando Bolsonaro e recebeu diversas críticas sobre a atitude.

Ele não se intimidou e foi às redes sociais comentar sobre o assunto. “Alguns bobos da rede estão me chamando de bobo da corte, só porque imitei o seu mito no jantar de ontem. Agradeço a audiência e aproveito para deixar um recado. Com a política do jeito que está, só podemos rir ou chorar. Eu optei por rir. Venham comigo antes que acabem os lenços”, escreveu.

O vídeo polêmico e o início da treta

O ex-presidente Michel Temer foi flagrado rindo de uma imitação que ridicularizava o presidente Jair Bolsonaro feita por Paulo Marinho. O vídeo foi gravado durante uma reunião de Temer com empresários e políticos, como Gilberto Kassab (PSD). As imagens mostram Temer rindo de diversas piadas sobre a nota de recuo articulada por ele para ajudar Bolsonaro a acalmar a crise entre os poderes após as manifestações de 7 de Setembro.

André Marinho, de 27 anos, se classifica como bolsonarista arrependido e busca irritar os seguidores de Bolsonaro, mesmo que tal atitude renda diversas críticas a ele. Toda a história começou em 2018, durante a campanha que levou Bolsonaro ao cargo de Presidente do Brasil. Ele teve acesso privilegiado ao candidato por ser filho de Paulo Marinho que integrava o círculo de confiança de Bolsonaro.

Ele lamentou a aproximação que teve com Bolsonaro, em entrevista, e deixou claro o arrependimento. “Eu me arrependo de tê-lo apoiado”, disse Marinho, que viu em Bolsonaro uma renovação na política, “uma aliança inédita de liberais e conservadores, que prometia restaurar um senso de ordem e progresso no Brasil”, após sucessivos governos do Partido dos Trabalhadores, salpicado por escândalos de corrupção. Mas Bolsonaro, em seu entendimento, “provou ser mais do mesmo e traiu tudo o que ELE prometeu”, afirma Marinho.

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