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QUEDA

Em crise, ‘Jornal Nacional’ perde quase metade do público

Desde 2001, principal telejornal da TV brasileira tem visto seus índices de audiência despencarem anos após ano

Danilo ReenlsoberRepórter do EM OFF

O Jornal Nacional, apresentado por William Bonner e Renata Vasconcellos, segue sendo o principal telejornal da televisão brasileira e uma das atrações mais assistidas da Rede Globo. No entanto, o jornalístico exibido em horário nobre tem vivido uma crise e visto sua abrangência, importância e, consecutivamente, sua audiência diminuir de forma irreversível ano após ano.

De acordo com o colunista Ricardo Feltrin, do portal UOL, o Jornal Nacional deve encerrar o ano de 2021 com sua pior média de audiência desde o início desse século. De acordo com o jornalista, o principal telejornal da emissora deve terminar o ano na casa dos 24,4 pontos de média no PNT (Painel Nacional de Televisão) e 37,7% de share, ou seja, a porcentagem de televisores ligados na atração.

Os dados do telejornal comandado por William Bonner são ainda piores se comparados aos anos anteriores. Em 2004, por exemplo, o Jornal Nacional marcou média de 41,4 pontos na audiência, com 63,3% de share – a cada 10 televisores, seis estavam sintonizados no jornalístico. Essa foi sua melhor marca desde a virada do século. Assim, em 20 anos, a atração perdeu 41% dos televisores ligados em todo o território nacional.

Apesar da queda vertiginosa na audiência nos últimos anos, o Jornal Nacional ainda assegura a liderança no horário para a Rede Globo. A Record TV, vice-líder no ibope, deve fechar o ano com uma média de 9,7 pontos e 15% de share em todo o Brasil. Cada ponto nessa medição, que abrange as 15 maiores regiões metropolitanas do país, vale por cerca de 270 mil domicílios.

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Se em 2004 o Jornal Nacional viveu seu melhor momento na audiência, a Globo começou a se preocupar a partir de 2013. Nesse ano, a atração jornalística fechou a média anual abaixo dos 30 pontos pela primeira vez (28,4 pontos e 48,7% de share). 2015 foi o segundo pior ano para o JN, atrás apenas de 2021: 24,7 de média e 39,7% de share.

Repercussão

Apesar da audiência em queda, o Jornal Nacional ainda repercute nas redes sociais. Na semana passada, o JN virou piada após cometer uma gafe com a atriz Lilia Cabral. A produção errou o nome ao creditar a artista veterana contratada da Rede Globo. O principal programa jornalístico do canal carioca noticiava a morte da atriz Mila Moreiro no momento do erro.

Lilia, que era amiga da atriz, deu um depoimento para homenagear Mila no Jornal Nacional. Ao reproduzir a homenagem da atriz veterana, o programa jornalístico creditou erroneamente Lilia Cabral como “Lilia Teles de Janeiro”. O equívoco da produção provavelmente se deu devido ao fato de uma outra Lilia ter aparecido na mesma reportagem. Trata-se da jornalista Lilia Teles, que apareceu logo após o depoimento de Lilia Cabral, dando mais detalhes sobre a morte da atriz e modelo Mila Moreiro.

No mês passado, William Bonner e Renata Vasconcellos acabaram se emocionando por causa da exibição de uma reportagem em comemoração aos 25 anos do GloboNews e encerraram o Jornal Nacional chorando. “Em graus diferentes, estamos todos muito emocionados aqui. Então, cabe a mim dizer que logo mais…”, começou Bonner, mas ficou com a voz embargada. “A gente fica muito… Trabalho tudo e muita emoção”, completou Renata, dando a mão para o companheiro de bancada. “Parabéns pela parte que lhe cabe nisso”, acrescentou o jornalista.

Jornal Nacional foi perdendo pontos na média e share ano após ano. Confira:

2001 – 38,5 e 63,3%
2002 – 38,9 e 61,8%
2003 – 38,9 e 62,5%
2004 – 41,9 e 67,1%
2005 – 37,9 e 59,7%
2006 – 37,6 e 58,5%
2007 – 34,9 e 57,5%
2008 – 34,0 e 55,7%
2009 – 33,1 e 54,5%
2010 – 30,7 e 52,3%
2011 – 32,7 e 54,9%
2012 – 30,9 e 53,5%
2013 – 28,4 e 48,7%
2014 – 25,5 e 43,6%
2015 – 24,7 e 39,7%
2016 – 27,7 e 42,1%
2017 – 29,3 e 43,9%
2018 – 29,2 e 44,2%
2019 – 28,0 e 43,1%
2020 – 27,8 e 42,0%
2021 – 24,4 e 37,7%