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criticaram Bolsonaro!

Fora da TV Globo, jornalistas ficam livres para detonar governo Bolsonaro

Ex-jornalistas da Rede Globo têm usado suas redes sociais recentemente para criticar o governo de Jair Bolsonaro

Jean TellesRepórter do EM OFF

A recente saída de jornalistas e apresentadores veteranos do rol de funcionários da Rede Globo, tem coincidido com críticas públicas ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Em suas redes sociais recentemente, o apresentador Chico Pinheiro classificou a gestão do chefe do executivo como “desgoverno”. Em consonância, o jornalista Marcos Uchôa, declarou que o governo Bolsonaro “cria condições para que se possa matar impunemente”. 

Ambos jornalistas proferiram críticas ao governo de Jair Bolsonaro, após desdobramentos do caso envolvendo o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips. Na manhã dessa segunda-feira (13), familiares chegaram a confirmar que os corpos dos dois haviam sido localizados, a Polícia Federal, no entanto, emitiu uma nota negando a informação. 

Em seu perfil no Twitter, o apresentador Chico Pinheiro apareceu ao lado de uma placa com uma homenagem a vereadora Marielle Franco, assassinada há quatro anos. O ex-jornalista da Globo fez uma alusão aos dois casos, criticando a impunidade por trás dos dois crimes e nomeando a gestão de Jair Bolsonaro como “desgoverno”: 

“Há uma semana despareceram Dom Phillips e Bruno Pereira. Há mais de 1500 dias, não sabemos quem mandou matar Marielle! Até quando o Brasil será o país da impunidade, da incerteza e do desgoverno? Até quando? Basta!”, protestou o comunicador veterano Chico Pinheiro em suas redes sociais. 

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Marcos Uchôa também citou o crime bárbaro, ainda sem solução da vereadora do PSOL, fazendo um comparativo com os desaparecimentos de Philips e Bruno. Para o ex-reporter da emissora dos Marinho, o governo de Jair Bolsonaro possibilita a ação destes crimes: “Esse governo cria condições para que se possa matar impunemente! Não foi só a morte de Dom Philips e Bruno Pereira que provavelmente será confirmada, mas volta um pouquinho atrás”, começou dizendo o jornalista. 

E prosseguiu: “Na pandemia, muita gente morreu pelas ações e omissões desse governo. A Amazônia está entregue, não é terra de ninguém! Mas não é só a Amazônia, é Rio de Janeiro também! São as mesmas condições de falta de autoridade, de botar para lá os polícias melhores, os que realmente poderia punir”, declarou o jornalista, citando ainda o desmonte do Ibama e o Rio de Janeiro sendo dominado pela milícia. 

“As mesmas condições que puderam fazer com que se pudesse matar Marielle, estão sendo reproduzidas agora com Dom e com Bruno. Dá nojo!”, protestou Marcos Uchôa em suas redes sociais. Vale lembrar que enquanto eram funcionários da Rede Globo, os jornalistas não costumavam protestar tão abertamente contra o governo de Jair Bolsonaro em suas redes sociais. 

Isso porque, a TV Globo possui um regimento rigoroso, no que diz respeito a opinião política de seus funcionários. Em recente nota enviada ao jornal Folha de São Paulo, a TV Globo fez questão de destacar que “não apoia qualquer candidato” e que “a política interna sobre eleições é ainda mais rigorosa do que a lei, em linha com sua posição de neutralidade e isenção”. 

Por isso, todos seus funcionários não podem “se candidatar ou integrar campanhas”, de qualquer candidato de partido político se estiverem no ar em alguma atração da emissora carioca. “Não existe uma proibição de manifestações políticas pessoais dos talentos artísticos, mas elas têm que ser feitas no âmbito privado do talento e não podem comprometer a percepção do público sobre a isenção da empresa“, revelou a TV Globo em nota.