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Violência Contra Jornalistas

Globo cobra Judiciário e exige que Bolsonaro seja punido por ataques

A emissora dos Marinho não ficou calada diante de mais um ataque violento sofrido por seus funcionários

Bruno PintoRepórter do EM OFF

Na manhã deste domingo (12), uma equipe da TV Bahia, afiliada da Rede Globo, passou por uma situação que vem se tornando comum nos últimos anos. Assim como profissionais de imprensa de outras emissoras, eles acabaram sendo agredidos por seguranças e apoiadores fanáticos de Jair Bolsonaro. Indignada com os últimos acontecimentos com seus funcionários, a Rede Globo emitiu uma nota em repúdio aos ataques.

A repórter Camila Marinho e o cinegrafista Cleriston Santana estavam cobrindo a visita de Jair Bolsonaro a Itamaraju, um dos vários locais atingidos pela forte chuva que destruiu o Sul da Bahia. Assim que o presidente desceu do helicóptero, todos os repórteres foram em sua direção e acabaram sendo surpreendidos com violência por parte de um dos seguranças, que a chegou a segurar a jornalista pelo pescoço.

Diante de mais um perigoso e lamentável ataque aos seus profissionais, durante a edição do “Fantástico” deste domingo (12), a emissora dos Marinho não perdeu tempo, emitiu um nota de repúdio aos casos de violência contra os colaboradores, criticando a atitude, descrita como “escandalosa”, do presidente Jair Bolsonaro e ainda cobrou que o Judiciário se pronuncie.

Maju Coutinho começou lendo a nota emitida pela emissora carioca: “O Supremo Tribunal Federal foi acionado em novembro pela Rede Sustentabilidade para proibir o presidente de Jair Bolsonaro de atacar ou incentivar ataques verbais ou físicos à imprensa e aos profissionais da área. O partido pede que o Supremo fixe o pagamento de multa de R$ 100 mil por ataque. A Rede também pede que o STF determine à Presidência da República que elabore e apresente um plano de segurança para garantir a integridade dos profissionais que acompanham a rotina do presidente”.

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A apresentadora lembrou de mais um episódio ocorrido recentemente: “A ação foi apresentada após Bolsonaro tratar com hostilidade jornalistas brasileiros durante a viagem a Roma, na Itália. Seguranças que estavam perto do presidente agrediram quem tentou fazer perguntas. Entre eles, o repórter Leonardo Monteiro, da TV Globo. O ministro Dias Toffoli enviou a ação para ser julgada pelo plenário do STF”.

Poliana Abritta deu continuidade a leitura da mensagem: “A Advocacia-Geral da União já se manifestou no processo e defendeu a rejeição da ação por questões processuais. O governo afirma que não é possível atribuir a autoridades episódios de hostilidade ou intimidações contra a imprensa. O governo diz ainda que a postura crítica de Bolsonaro à imprensa não ultrapassa os limites da liberdade de expressão. O STF ainda aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República. O julgamento da ação ainda não tem data para ocorrer”.

Maju Coutinho retomou a palavra o ataque de ontem é um claro sinal que a situação já passou dos limites e que a PGR precisa tomar uma atitude: “As agressões deste domingo mostram que já passou da hora de a Procuradoria-Geral da República dar o seu parecer na ação que corre no Supremo, tendo como relator o ministro Dias Toffoli. A imprensa cumpre um direito escrito na Constituição, e deve ter a sua segurança garantida”.

Sem meias palavras, Maju diz que a presidência seja responsabilidade pelo que vem ocorrendo: “As cenas bárbaras de hoje e aquelas ocorridas na Itália no dia 31 de outubro ensejam duas constatações. Se os seguranças agem por conta própria, a presidência deve ser responsabilizada por omissão. Se agem seguindo ordens superiores, a presidência deve ser responsabilizada por atentar contra a liberdade de imprensa e fomentar a violência contra jornalistas”.

Poliana concluiu falando sobre Jair Bolsonaro que, segundo a nota, é o responsável por grande parte dos ataques, pois atiça seus fanáticos com discursos contra a imprensa: “Além disso, é escandalosa a atitude da presidência de deixar jornalistas à própria sorte em meio a apoiadores fanáticos, que são insuflados quase diariamente pelo próprio presidente em sua retórica contra o trabalho da imprensa. Frente aos evidentes e graves riscos enfrentados por repórteres de todos os veículos, é urgente que o Judiciário se pronuncie”.