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DEU RUIM

Globo perde processo contra bolsonarista que ameaçou equipe

A emissora dos Marinho não conseguiu convencer o magistrado e acabou se dando mal contra o apoiador do presidente Jair Bolsonaro

Bruno PintoRepórter do EM OFF

Ser repórter se tornou em uma tarefa complicada nos últimos anos, principalmente se ele for contratado da Rede Globo. Em meio a um país dividido politicamente, diversas pessoas decidiram transformar seus ódios e frustrações em graves ameaças e até mesmo agressões físicas na tentativa de impedir que o profissional da imprensa faça aquilo que é o seu dever: Informar a população.

Acabou se tornando comum notícias de jornalistas agredidos por pessoas que se acham no direito de agredir alguém por trabalhar em uma determinada empresa. Diante de grave situação em que muitos de seus profissionais vem sofrendo, a Globo resolveu tomar uma atitude mais severa contra aqueles que ameaçam o exercício do jornalismo e colocam a vida de seus colaboradores em risco.

Sendo assim, a alta cúpula da emissora dos Marinho não pensou duas vezes antes de processar um bolsonarista, que disse pagar um determinado valor em dinheiro para as pessoas atacarem as equipes de reportagens quando estivessem entrando ao vivo. Por meio de suas redes sociais, o homem identificado como Marcos Aurélio Neves prometeu pagar R$100 para cada pessoa que jogasse água nos profissionais da emissora carioca.

A Globo pediu nada menos do que R$30 mil alegando danos morais, porém, acabou levando a pior no final da história. Segundo informações dos autos divulgados pelo portal Notícias da TV, o Juiz Matheus Stamillo Zuliani não conseguiu enxergar o caso com a mesma gravidade do que a Rede Globo e entendeu que a manifestação do réu foi apenas uma crítica as produções jornalística da emissora carioca.

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A Globo anexou no processo as informações contidas na publicação feita por Marcos Aurélio: “O requerido realizou publicação no Facebook com a descrição: ‘A campanha é minha! #Eupago’, seguida de uma imagem que contém a frase ‘jogue água em um repórter da Globo ao vivo e ganhe R$ 100’. A imagem contém um balde com água sendo lançada na logomarca da autora”.

Mesmo diante das alegações da emissora dos Marinho e da grande repercussão que a postagem do servidor da Sejus-DF (Secretaria de Estado Justiça e Cidadania do Distrito Federal) ganhou na internet, com diversos internautas interagindo e compartilhando com a ideia do apoiador do presidente Jair Bolsonaro, o magistrado, ainda assim, não identificou a reclamação contra o réu.

“Não consta nos autos qualquer efetiva ocorrência da conduta incitada pelo autor. Ademais, não consta qualquer forma de efetivação do pagamento prometido pelo autor. O que se evidencia é a manifestação do autor em rede social, provavelmente em um ato de crítica às atividades da requerida ou de seus repórteres, manifestação essa que não pode ser confundida com uma incitação ao ódio público”, disse o juiz.