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SEXISMO

Globo perde processo contra ex-apresentadora e terá que pagar indenização milionária

O juiz interpretou o caso como um típico comportamento discriminatório em decorrência do sexo de Carina Pereira

Bruno PintoRepórter do EM OFF

Em meio ao aumento de Casos de Covid-19 em suas dependências, sendo necessário afastar diversos colaboradores, além de retornar com seus rígidos protocolos de segurança, os executivos da Rede Globo precisaram voltar suas atenções a um problema que vai além do sanitário e o resultado não foi nada animador, causando um prejuízo milionário aos cofres da emissora dos Marinho.

Carina Pereira, ex-apresentadora do “Globo Esporte Minas”, deixou a emissora em janeiro do ano passado e, na Justiça, a acusou de assédio moral. Segundo a jornalista, o abuso teria ocorrido por parte de seu antigo chefe. Pouco mais de um ano após dar entrada no processo, Carina teve a resposta que tanto esperava e saiu vitoriosa do processo movido contra sua antiga empresa, que terá que pagar mais de R$1 milhão a ex-apresentadora.

Diante de tudo o que foi apresentado por ambos lados, o juiz Marcel Luiz Campos Rodrigues bateu o martelo e interpretou o caso como um típico comportamento discriminatório em decorrência do sexo da ex-funcionária da emissora carioca, neste caso, o feminino. A decisão do magistrado foi protocolada neste sábado (11) e teve alguns trechos divulgados pelo portal NaTelinha.

“É evidente que em um ambiente marcado pelo sexismo, a postura corporativa da Reclamada que, segundo ela, adota ‘não apenas (…) políticas de prevenção e repressão à prática de atos discriminatórios, mas, também, a promoção de políticas de valorização, inserção e representatividade da mulher no ambiente de trabalho’ (fl. 274), possuindo, inclusive, um ‘Comitê Diversidade do Esporte’, é necessária e elogiável, dada a importância do próprio Grupo Globo, em razão de seu porte e capilaridade social”, iniciou o juiz.

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Embora tenha elogiado a postura da Rede Globo, que criou e apresentou políticas internas com o objetivo de tentar extinguir a discriminação de funcionários por conta de seu gênero, Marcel Luiz Campos Rodrigues disse que é necessário ir além e garantir que essas políticas para a inclusão de mulheres sejam de fato garantidas na prática, não apenas na teoria.

“Contudo, a missão não será cumprida se, à revelia de sua audiência, nos bastidores, estúdios, redações e reportagens, a Reclamada não assegurar, de fato, a suas empregadas e a seus empregados, a proteção contra atos ofensivos e discriminatórios, que violam valores tão prestigiados em seus manuais de ‘compliance’ e políticas de promoção da diversidade, como apontado na defesa”, disse o magistrado.

O juiz concluiu dizendo que se faz necessário investigar, de forma séria e rígida, todos os possíveis casos: “Por último, a importância de se criar e manter uma área de ‘compliance’, com competência para apuração de comportamentos ofensivos, ilegais, é reduzida , ilegais, é reduzida ao mínimo quando se nega a sindicabilidade judicial a respeito do procedimento interno adotado”.