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Ataques à imprensa

Homem se descontrola e invade reportagem da Globo

Homem criticou a Globo e deixou repórter assustada

Paulo Henrique LimaRepórter do EM OFF

Nos últimos anos, jornalistas de diferentes veículos de comunicação foram alvos de ataques nas ruas de todo o país. Nesta semana, a repórter Thaís Rozo, da TV Tribuna, afiliada da Globo, em Santos, litoral de São Paulo, foi interrompida por um homem durante um link ao vivo no “TJ 2”, um dos principais telejornais da casa. Ele gritavam insultos contra a matriz, localizada no Rio de Janeiro.

A profissional foi chamada ao vivo para falar sobre a movimentação para as compras de Natal no Shopping de Praia Grande. Assim que o sinal foi estabelecido e começou a passar as informações para o público de casa, Rozo foi surpreendida por um frequentador do local. Descontrolado, o homem, ainda não identificado, afirmava aos gritos a frase “Globo Lixo”, usada por grande parte dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Apesar de assustada, a repórter da Globo continuou a passar as informações da pauta proposta. Ela teve que contar com a expertise do cinegrafista para criar novos caminhos para a matéria, já que o homem insistia em aparecer no centro da tela com os insultos contra a emissora. De forma rápida, Thaís Rozo disse que o local estava lotado e que a tendência é de mais movimento no final de semana.

“Como a gente ver, tem [uma] pessoa atrapalhando, mas vamos lá”, avisou ela antes de continuar a reportagem. “Aqui no shopping de Praia Grande tem bastante gente fazendo as compras de Natal. O que a gente mais [observa] são pessoas procurando [os presentes], indo atrás de roupa e tudo mais”, contou, visivelmente assustada com a insistência do homem em atrapalhar o seu trabalho.

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“Tem muita gente vendo a decoração de Natal do shopping, muita gente fazendo compras, é com você”, completou devolvendo a vez para Melissa Paiva, âncora do ‘TJ 2″. No estúdio, a jornalista da TV Tribuna Santos criticou o comportamento do sujeito e falou em “falta de educação”. Essa não é a primeira vez que jornalistas são agredidos verbalmente durante o trabalho.

Em outubro, um homem ameaçou atirar na equipe da Globo em reportagem. O ataque ocorreu durante a cobertura da chegada do presidente Jair Bolsonaro ao Forte dos Andradas, no Guarujá. Apoiadores do presidente fizeram ameaças e agrediram verbalmente os profissionais da emissora carioca. Um funcionário do canal líder de audiência foi agredido fisicamente.

A Globo divulgou um editorial em que condena veemente os ataques à imprensa em geral e a seus profissionais. O canal citou o fato de o presidente colocar seguranças para barrar a aproximação dos repórteres e correspondentes. Além disso, afirmou que vai continuar cobrindo as ações de Bolsonaro durante todo o mandado e reforçou compromisso com a informação verdadeira.

“Essa retórica não impedirá o trabalho legítimo da imprensa. Perguntas continuarão a ser feitas, os atos do presidente continuarão a ser acompanhados e registrados. É o dever do jornalismo profissional. Mas essa retórica pode ter consequências ainda mais graves. E o responsável será o presidente”, diz a nota.

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