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Jovem Pan faz propaganda armamentista ao vivo e gera crise institucional

O "Flagrante JP" defendeu abertamente a compra facilitada de armas de fogo e usou até mesmo o termo "tiroterapia"

Danilo Reenlsober
Repórter do EM OFF

Aparentemente, até mesmo a Jovem Pan News, emissora de notícias que defende o presidente Jair Bolsonaro (PL), tem seus limites. Um programa policial apresentado por William Travassos e exibido aos sábado s fez o que foi chamada de propaganda armamentista ao vivo e gerou desconforto em diversos jornalistas da casa. Esses, por sua vez, reclamaram do tom da atração aos seus superiores.

No último sábado (16), a atração “Flagrante JP” defendeu abertamente a compra facilitada de armas de fogo e usou até mesmo o termo “tiroterapia” para dizer que o armamento coletivo faz bem para a população. A polêmica gerou uma verdadeira crise nos bastidores do canal de notícias. A informação é do colunista Gabriel Vaquer, do Notícias da TV.

De acordo com os profissionais da Jovem Pan, faltou um contraponto no material exibido e pareceu uma propaganda para a cultura armamentista. Eles entendem ainda que faltou sensibilidade de William Travassos, que, na abertura do programa, disse que houve um “duelo dentro de uma festinha num clube”, referindo-se ao caso do militante bolsonarista que matou um petista em Foz do Iguaçu, no Paraná.

No programa, William Travassos argumentou que a filosofia do tiro é algo que acalma muita gente e usou o termo “tiroterapia”. A questão em si repercutiu não só na Jovem Pan, mas também entre as concorrentes GloboNews e CNN Brasil, segundo o Notícias da TV. Jornalistas dos canais ficaram chocados pela forma como o assunto foi abordado durante o plantão do fim de semana.

“Queria começar o programa falando da arma de fogo. A máquina de fazer defunto. Aquela que todo mundo fala que o governo liberou a arma pra todo mundo… Não é bem assim. A regra do jogo é muito rígida, pra comprar uma arma, você precisa cumprir etapas. (…) Na verdade houve uma correção para um problema que nós tínhamos operacional”, falou Travassos na abertura do programa.

Para corroborar sua fala, o apresentador convidou um “especialista”: um instrutor de tiro e sargento da Polícia Militar, Israel Santos. “Eu costumo dizer que, pra quem tem filha, se uma pessoa chegar pra pedir a mão da filha dele em casamento, se a pessoa falar que é CAC (Colecionador, Atirador Desportivo ou Caçador ), pode conceder a mão porque, pela bateria de exames, eu diria que com certeza é uma pessoa de bem”, disse o convidado.

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