Televisão

Na Band, Casagrande desabafa: ‘Tive surtos psicóticos com demônios bíblicos’

O ex-comentarista da Globo concedeu entrevista a apresentadora Cátia Fonseca

Danilo Reenlsober
Repórter do EM OFF

O ex-jogador Walter Casagrande, ex-comentarista da TV Globo, concedeu uma entrevista a apresentadora Cátia Fonseca no “Melhor da Tarde”, na Band, nesta terça-feira (19) e deu detalhes sobre sua dependência química. Hoje livre das drogas, o ex-atleta falou abertamente sobre a questão e aproveitou para dar conselhos para os pais de jovens que passam pelo mesmo problema.

Sem papas na língua, Casagrande relembrou o acidente automobilístico que sofreu em 2007. Na ocasião, o Jeep Cherokee que ele dirigia arrastou outros veículos que estavam estacionados e capotou. O ex-jogador trafegava em alta velocidade e, após o ocorrido, foi encaminhado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Na conversa com Cátia Fonseca, Casagrande afirmou que estava em surto psicótico no momento do acidente. O ex-comentarista relembrou que, por causa das drogas, tinha visões e alucinações com demônios dentro da própria casa. “Tive surtos psicóticos com demônios bíblicos”, disse o ex-atleta. Logo em seguida, ele detalhou esses momentos e relembrou o acidente.

“[Na época] Eu tava pesquisando isso [demônios] enquanto usava droga. Chegou um momento que eu estava em casa e eu só podia ficar num retângulo na minha sala, porque todo o resto estava ocupado. Sai de lá e fui pra um hotel com a minha namorada. Cheguei e o quarto estava repleto de demônios, porque eles estavam todos na minha cabeça. Fugi de lá em surto e sofri o acidente”, explicou o ex-contratado da Globo.

Na entrevista, Casagrande falou de como era sua relação com as drogas e como elas enganam os dependentes. “O maior inimigo que eu tive fui eu mesmo. A responsabilidade é minha. Assumo minha responsabilidade. A minha questão é de ideologia, tenho isso muito forte dentro de mim, hoje consigo ser livre [sem depender das drogas]”, comentou.

“Na minha época, a propaganda da droga era de coisa boa, não de coisa ruim como é hoje. Eu usava droga para curtir minha cabeça, não pra ficar doido. Dava 20h da noite eu já estava em casa. A coisa foi ladeira abaixo quando cismei de usar droga injetável. Foi meu momento final. A droga não é ruim, ela é mentirosa. Quem experimenta vira um escravo”, explicou.

A pedido de Cátia Fonseca, Walter Casagrande enviou um recado para os pais que temem a entrada dos jovens no mundo das drogas. “É uma questão de entendimento. Dependência é uma doença. Tem muita gente que não acredita, que acha que o cara é vagabundo. A pessoa tem que se informar. Tem que levar num psiquiatra, fazer os testes. É muito raro o dependente pedir ajuda. Os pais precisam se informar para poder ajudar”.