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Não passa frio

Natuza Nery faz desabafo sobre fome no Brasil e crítica governo Bolsonaro

A jornalista e comentarista da GloboNews foi bastante elogiada nas redes sociais após a manifestação

Vitor CaiqueRepórter do EM OFF

A comentarista e jornalista Natuza Nery resolveu se manifestar sobre a fome no Brasil. Depois de ir ao ar uma reportagem onde mostrou que o número de brasileiros em situação de fome no Brasil dobrou nos últimos dois anos, durante o programa “Edição das 18H”, da GloboNews, a comunicadora fez um discurso emocionante, criticando as ações governamentais na gestão Bolsonaro.

Natuza comentou sobre os acontecimentos do país e citou as entrevistadas do VT que foi ao ar, mulheres brasileiras que relataram passar dificuldades e fome. “A gente voltou muitas casas pra trás, né? Eu me lembro na minha adolescência de ver, na minha juventude isso foi diminuindo, isso nunca deixou de ser um problema para o país como o Brasil, mas ele não tinha essa dimensão há muito tempo“, iniciou Nery.

“Eu lembro de uma das primeiras entrevistas do Lula eleito, que disse que no governo dele todo mundo ia fazer no mínimo 3 refeições diárias, hoje eu fui revisitar as diretrizes do programa do PT e ele volta, o PT volta a falar sobre essas mesmas coisas, ou seja, no ponto de vista da política a gente também voltou algumas casas”

“Mas eu queria muito repetir o nome dessas mulheres, eu queria muito repetir porque a gente assiste a TV e se sensibiliza e se impacta com essas histórias mas a gente se esquece dos nomes. Então queria falar o nome delas: Daniela de Jesus Medeiros, desempregada, Ana Paula Couto, desempregada, dona Maria Santana de Souza, aposentada, Tatiane Alves, desempregada, e a Mariana Martins catadora”, continuou Natura Nery.

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“A Daniela Jesus disse que no domingo é ruim porque não tem muita gente na rua para ajudar e que demora o tempo pra passar, e ela está com fome, com duas crianças no braço. E fome é algo que me pega de fato. Eu fico me imaginando em Brasília, o que o presidente da república está discutindo, o presidente está falando de TSE, de supremo tribunal federal, está esbravejando sobre a democracia”.

“Ele está falando de tudo que não importa para essas pessoas, porque qual é o sentido de democracia que essas pessoas tem com fome? Imagine uma situação em que você passa fome, ninguém te ajuda, no domingo você não tem condição de tomar um café da manhã porque as pessoas estão dentro de suas casas e você não dá o de comer para seus filhos. Aí vem o presidente da república o governo federal falando de arma? Entende? Como está completamente fora do eixo, além de ter piorado, não há governo”, enfatizou a jornalista.

“E não é só o presidente da república, é o presidente da câmara, do senado, os parlamentares, é todo mundo sócio dessa tragédia, todo mundo parte responsável, e quando eles ficam batendo palma pro Bolsonaro dançar falando de supremo, falando de urna, falando de arma, agredindo outros políticos ou representantes do nosso sistema institucional…“.

Ele está passando na cara da Daniele, da Ana Paula, da Tatiana, da Mariana Martins que elas não importam, que a vida dessas mulheres não tem o menor significado pra eles. Então está tudo fora do lugar”, afirmou Natuza, enquanto o jornalista César Tralli ouvia o discurso emocionado da amiga, que continuou suas falas.

“Provavelmente alguma fonte vai me mandar mensagem aqui dizendo que foi a pandemia, não foi a pandemia! Em 2019 eu já disse isso aqui, eu me sentei com o ministro Paulo Guedes e eu disse: ‘ministro o botijão de gás estava há 60, 70 reais, eu disse ministro lá no Recife aumentou o número de pessoas dando entrada queimadas’, porque elas não tem dinheiro para comprar o botijão de gás, aí elas ascendem a labareda”.

“Vocês viram em uma das imagens que se improvisou em um dos fogões no chão, eles riscam o fósforo, não veem a chama azul e aí vem a chama toda em cima dessas pessoas. Isso era em setembro de 2019, não existia política social no governo, o governo só foi fazer uma política social dentro de muitas aspas porque entrou a pandemia, estava sendo muito cobrado, viu que tinha impacto de popularidade e aí houve um engajamento maior, mas se não fosse a pandemia, a situação não estava nesse estado”, finalizou.

Natuza Nery terminou seu discurso falando que as pessoas merecem dignidade, e enquanto elas estiverem de barriga vazia, não existem outras discursões. A jornalista ainda enfatizou que não houve nenhuma reunião de emergência em Brasília, então todos esses fatos que acontecem no país diariamente não sensibilizam as autoridades.

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