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REALITY MUSICAL

OPINIÃO: Quem ainda se importa com o ‘The Voice Brasil’?

Em queda nos índices de audiência, programa musical da Globo está desgastado e merecia deixar a grade

Danilo ReenlsoberRepórter do EM OFF

Na última segunda-feira, dia 15, durante o intervalo do BBB21, a Globo confirmou a exibição da sexta temporada do The Voice Kids, que terá início em abril. A emissora também confirmou que Márcio Garcia vai substituir André Marques na apresentação do reality e que Carlinhos Brown, Gaby Amarantos e Michel Teló serão os jurados.

A temporada antecessora do show de talentos infantil terminou em outubro de 2020. Cerca de três meses depois, em janeiro, teve início o The Voice +, apenas com participantes acima dos 60 anos. A versão mais “madura” do programa termina em abril, no mesmo mês em que reestreia a versão kids.

O sentimento que fica no público é de saturação e desgaste no formato. Ao emendar uma temporada da outra, a Globo simplesmente não dá tempo para que o telespectador sinta saudade do programa e ele fique cada vez mais irrelevante (você aí é capaz de dizer quem foram os últimos vencedores da competição? Pois é).

Esse afastamento do público já pode ser sentido nos índices de audiência. A quinta temporada do The Voice Kids, apesar de alcançar a meta estabelecida pela Globo, viu seu índice de audiência naufragar. Enquanto o primeiro episódio, em 5 de janeiro do ano passado, marcou média de 14,2 pontos, o último episódio, exibido em 11 de outubro, alcançou apenas os 9,3 pontos.

A edição mais recente da versão “normal” do The Voice Brasil, apresentado por Tiago Leifert entre outubro e dezembro de 2020, viu sua audiência despencar. Enquanto a Globo esperava alcançar uma meta de 20 pontos, o programa sofria para chegar aos 16 pontos. Vale lembrar que o reality musical sofria diversas derrotas para A Fazenda, da Record.

Também conta para o desgaste do programa os jurados muito “boa praça”. Todo mundo é bonzinho demais e não há o senso de competição entre os jurados como existe na versão norte-americana do programa, ou mesmo em outras ao redor do mundo. A “camaradagem” entre os jurados frequentemente é questionada nas redes sociais.

Além disso, a pouca diversidade de técnicos (normalmente a emissora apenas migra alguém do Kids para a versão adulta, ou vice-versa), ajuda a criar a visão de que não há novidade, entre ou saia ano.

O que a Globo faz com o The Voice Brasil segue o mesmo padrão do que a Band fez com o MasterChef Brasil no passado: temporadas em sequência, já que o programa rendia boas cotas de patrocínio. O reality culinário também apostou em versões profissionais e infantis e, assim como o The Voice, viu sua audiência despencar ano após ano.

Talvez fosse bom à Globo diminuir as temporadas do seu principal reality musical para evitar a dispersão da audiência. Nada garante que a emissora alcance a audiência desejada com a nova edição do The Voice Kids, mas talvez, só talvez, o público veja o programa como o “menos pior” da TV aberta aos domingos.