A vida continua

Pacto Brutal: Glória Perez afirma que nunca conseguirá ser feliz plenamente

Glória Perez aproveitou a série sobre a morte da filha, para dizer o que sente após o assassinato de Daniella Perez

Aline Torres
Repórter do EM OFF

A mais nova série documental da HBO Max, “Pacto Brutal”, é um verdadeiro sucesso. Os bastidores do assassinato de Daniella Perez foram expostos, assim como sentimentos dos entes queridos como da mãe da atriz, Glória Perez, e Raul Gazolla, viúvo de Daniella. A escritora abriu o coração para falar como a vida ficou após o crime que vitimou sua filha.

Glória deixou claro que estava vivendo a melhor fase da vida já que além da carreira da filha estar no início mas deslanchando, a dela mesma estava no auge. A autora havia começado a escrever com uma das maiores escritoras de novelas do país, Janete Clair e em 1992, e logo em seguida, havia começado a escrever suas próprias novelas.

“De Corpo e Alma”, foi uma delas. Inclusive, foi o folhetim em que estava atuando e contracenando com seu algoz, Guilherme de Pádua. No documentário, Glória afirma que assim que a filha desapareceu ao sair de uma gravação, chegou a ligar para o criminoso, sem suspeitar de nada. Guilherme afirmou que a colega de cena poderia ter idoso para a casa de uma amiga.

“O Caco me deu o telefone do Guilherme de Pádua. Quem atendeu foi uma mulher. Chamou, ele veio no telefone, e eu expliquei que a Dani não tinha chegado no ensaio, que estávamos todos muito preocupados. Ele disse: ‘Vai ver que ela foi visitar uma amiga’. Falei: ‘Mas como uma amiga? Que amiga? Ela falou pra você que ia visitar uma amiga?’. ‘Não, mas pode ter ido'”, disse a autora nas gravações da série.

A escritora chegou a aligar uma segunda vez para Guilherme após o carro da atriz ser encontrado. Acreditando se tratar de um sequestro, Glória quis saber sobre os grupos de fãs: “Ligo rapidamente de novo pro Guilherme de Pádua, porque me lembrei do grupo de fãs. Num sequestro, você tem informações sobre pessoas estranhas em volta, era tudo”.

“‘Guilherme, pelo amor de Deus, aconteceu alguma coisa com a Dani. O carro dela foi encontrado num matagal’”, contou a escritora. Após a confirmação de que a filha estava morta, Glória relembra a cena de ver o corpo já sem vida de Daniella: “Quando o carro ia parando, eu vi o tênis. Eu saltei do carro em movimento e saí correndo pra lá”, relatou.

“Aí, à medida que você vai correndo, vai subindo a imagem, até você ter a pessoa inteira. Ela tava lá, e em pé, ao pé dela, olhando assim pensativamente pra ela, estava o delegado Cidade. Eu só vi ele. Aí, você tem uma vontade de dizer: ‘Levanta!’. Sabe, você acha que a sua chegada é mágica, que você vai tirar ela dali”, disse ainda.

Glória Perez falou sobre a falta que a única filha faz em sua vida e de todos os momentos que nunca poderão ser vividos: “Não tem como virar a página para a existência de um filho”. A escritora disse ainda que não consegue alcançar a felicidade plena porque não possui mais ao seu lado uma das pessoas mais importantes que já esteve em sua vida:

“Várias pessoas que poderiam estar aqui do meu lado, não existirão nunca. São os netos que eu não tive. Quando se mata uma pessoa, é muito para além dela. Você mata tudo o que aquela pessoa poderia ter feito em vida. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Hoje, eu sei que a plenitude acabou.”, declarou Glória Perez de forma emocionante.