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Acidente Aéreo

Perito aeronáutico revela possível motivo da morte de Marília Mendonça

Em entrevista ao programa “A Tarde é Sua”, o também professor falou sobre a falsa impressão do avião não ter sofrido grandes danos

Bruno PintoRepórter do EM OFF

Após a tragédia ocorrida na última sexta-feira (05), que ocasionou na morte da cantora Marília Mendonça e os demais ocupantes da aeronave, as autoridades competentes começaram a investigar os motivos que levaram ao acidente aéreo. Para adiantar alguns pontos que acabaram se tornando dúvidas de milhares pessoas, o perito aeronáutico Daniel Calazans foi convidado por Sonia Abrão para conversar sobre o caso que deixou o Brasil em choque.

Na tarde desta segunda-feira (08), durante o programa “A Tarde é Sua”, o também professor citou o caso do apresentador do programa “Domingão com Huck” para explicar a grande diferença entre os acidentes: “Nós tivemos vários casos de acidentes, vou citar o do Luciano Huck, que eu acompanhei o caso. O piloto fez um pouso forçado e conseguiu minimizar as consequências e que todos os ocupantes sobreviveram”.

O perito revelou que, seguindo uma das linhas de investigação, o piloto teria perdido o controle do avião após colidir com um fio de alta tensão: “Depende muito das circunstâncias, do contexto. Como nós temos uma evidência de que o avião colidiu com um fio, isso sendo constatado, é muito perigoso, porque pode ter afetado parte da superfície primária de controle. Se isso aconteceu, o piloto perdeu a manobrabilidade, o piloto teve dificuldade em controlar a aeronave”.

Daniel contou que o piloto do avião em que estava Marília Mendonça não fez um pouso de emergência e comparou com o acidente ocorrido com Huck para justificar sua teoria: “Ele não fez um pouso forçado, a aeronave praticamente caiu. No caso do Luciano Huck, nós tivemos um pouso em uma área plana, em uma área de plantação, o que propiciou um pouso forçado com segurança. A topografia do terreno não propicia isso. A região, do jeito que a aeronave fez esse pouso, foi numa circunstância que dificilmente nós teríamos sobreviventes”.

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Calazans revelou que até mesmo ele, um profissional com muita experiência, acabou tendo a falsa impressão de que o caso havia sido menos grave: “As primeiras imagens que eu vi, pela mídia, realmente foi uma falsa impressão. O fato da aeronave não ter se espalhado, deu uma falsa impressão de que a aeronave estava intacta. Aquela rachadura na cauda, mostra uma cisão séria” .

O professor contou que a principal destruição do avião ocorreu internamente, descartando qualquer probabilidade de sobreviventes: “A aeronave não se desmanchou, trazendo uma falsa aparência de um acidente leve, mas a desaceleração desintegrou muito a aeronave por dentro, ou seja, trouxe uma grande destruição interna, um grande prejuízo físico para os ocupantes. Dificilmente eles iriam sobreviver. Pelo impacto, foi grave sim”.

Já no final da entrevista, o perito fez um apelo: “Eu tenho 40 anos na aviação e tenho acompanhado muitos acidentes envolvendo celebridades, como Gabriel Diniz e Luciano Huck, por exemplo. Será que os nossos colegas da comunidade artística, os seus assessores, estão sabendo o que estão fazendo quando contratam uma empresa de táxi aéreo? Eu tenho a impressão que não”.

Daniel Calazans concluiu pedindo mais cautela por parte daqueles que contratam serviços de táxi aéreo: “Eu acompanhei alguns casos, que se tivessem me perguntado, eu não recomendaria aquele tipo de voo ou aquele tipo de avião. Embora não seja responsabilidade dos artistas e nem dos assessores, eu faço um apelo para que mudem esse paradigma, no sentido de buscar informações em relação a fretamento de aeronaves”.

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