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caso de polícia

Polícia identifica agressor de repórteres da Globo

Homem pode pegar até 6 anos de prisão por agressão de natureza grave

Paulo Henrique LimaRepórter do EM OFF

A Polícia Civil de São Paulo identificou e localizou o homem que agrediu fisicamente e verbalmente uma equipe de reportagem da Globo na Avenida do Estado, centro da capital, no último dia 2 de março. Nesta terça-feira (22) a Globo expos no “Jornal Hoje” Adriano Ferreira de Queiroz, de 33 anos, apontado pelas investigações como o responsável pelo crime de natureza grave.

Cesar Tralli, âncora do noticiário vespertino da líder de audiência, informou que Adriano vai responder por lesão corporal de natureza grave e injúria. O homem já foi interrogado por um delegado e poderá ser condenado com 6 anos de prisão, somadas as duas penas. Não foi revelado o conteúdo do interrogatório feito pelo agente que estava de plantão no momento da chegada do acusado.

Ainda não se sabe a motivação da agressão contra os repórteres Renato Biazzi e Ronaldo de Souza. A Globo não informou se a Polícia interrogou os profissionais após o agressor ter sido localizado e encaminhado à delegacia. A emissora não divulgou nenhuma nota sobre o indiciamento do acusado de cometer os crimes, mas informou que Ronaldo passou por uma cirurgia na mão.

Repórteres da Globo

No início do mês, Adriano Ferreira se aproximou dos repórteres que faziam imagens da Avenida do Estado para os telejornais do canal e disparou xingamos contra os jornalistas. Durante os ataques verbais ele pegou uma corrente do cachorro que segurava e disparou contra os profissionais. De Souza foi atingido na mão e precisou fazer um procedimento cirúrgico para correção.

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À época a Globo noticiou ocorrência no “SP1”, telejornal local comandado por Alan Severiano, e divulgou uma nota de repúdio. “A TV Globo repudia com veemência a violência, se solidariza com seus profissionais, tomará as medidas legais e adverte mais uma vez que todos aqueles que agridem com declarações o trabalho da imprensa estimulam este tipo de ator. A nossa solidariedade ao Renato e ao Ronaldo”.

Entidades repudiaram a violência sofrida pelos jornalistas. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lamentou o episódios e pediu apuração do caso. “Que as autoridades cheguem logo à identificação dos autores para que sejam responsabilizados por seus atos. Ataques dessa natureza devem ser repudiados não só pelas organizações e pelos profissionais de imprensa, mas pelo conjunto da sociedade”.

“Tais ataques ferem os princípios constitucionais da liberdade de imprensa e do direito à informação. E ferem também o direito à integridade física e moral dos cidadãos. Ataques dessa natureza devem ser repudiados não só pelas organizações e pelos profissionais de imprensa, mas pelo conjunto da sociedade, uma vez que a tentativa de cercear o jornalismo corrói os pilares da democracia”.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram uma nota conjunta em que classificaram o ataque como “covardia”. “É necessário que as autoridades competentes não deixem esses casos impunes, ainda mais com a proximidade do período eleitoral. Infelizmente, casos como os sofridos por Renato e Ronaldo vêm crescendo de maneira assustadora no Brasil, consequência direta do discurso de ódio e as tentativas de cercear o livre exercício do jornalismo profissional”.

“É necessário que as autoridades competentes não deixem esses casos impunes, ainda mais com a proximidade do período eleitoral — caso os responsáveis por esses crimes não sejam devidamente punidos, os jornalistas ficarão ainda mais expostos a agressões daqueles que tentam impedir a livre circulação de informações”.