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Inflação em alta

Repórter da Globo chora ao mostrar pessoas em fila de ossos

Cinthya Rocha mostrou a realidades de famílias brasileiras que não tem o que comer

Paulo Henrique LimaRepórter do EM OFF

Com a inflação e o desemprego em alta no Brasil, milhões de famílias estão tendo que se reinventar para conseguir levar o alimento para casa. A TV Centro América, afiliada da Globo no Mato Grosso do Sul, mostrou a realidade de muitas pessoas que não tinham o que comer na ceia de Natal e foram a um açougue pegar ossos. Semanalmente, filas quilométricas são formadas na rua do estabelecimento.

A repórter Cinthya Rocha foi a responsável por contar a realidade de muitos brasileiros. Logo no início da reportagem, é possível observar mulheres com crianças no colo procurando ossos e retalhos de carne para comer. A jornalista explica que a cena tem se repetido pelo menos três vezes na semana durante a alta no preço da carne e de alimentos básicos como arroz e feijão.

“É até emocionante falar, mas as pessoas estão aqui ajudando, é uma sensação muito triste”, disse a repórter com a voz embargada de choro. A contratada da Globo chega a olhar para o chão e para os lados enquanto tenta passar as informações e controlar a emoção. No entanto, ela não consegue e continua com o link ao vivo no início do “Bom Dia MT”, por volta das 6h10 (horário de Brasília).

Cinthya Rocha se aproximou da fila e conversou com uma mãe que segurava o filha no colo. De acordo com a jornalista, a mulher tem três filhos. “O que significa e representa esse ossinho pra sua família?”, questionou. “É muito bom, muito gratificante, eles [donos do açougue] sempre agradando, quando não tem ossinho eles dão sacolão [com frutas e verduras]”, comentou dona Marizete.

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Nas redes sociais, a repórter mostrou os bastidores do link e descreveu o cenário de fome no Brasil. “São filas com idosos e mães lutando pela sobrevivência“. Rocha também contou que algumas pessoas com condições estão se mobilizando para doar cestas básicas e kits de produtos de limpezas para as pessoas que estavam na fila.

O público que acompanhou a matéria exibida no telejornal local também se mostrou sensibilizado com a situação. “Dói muito ver o que o Brasil virou”, disse Matheus Metzker. “A que ponto chegamos?”, se questionou Luciana Maria Nascimento. “Difícil a gente não se emocionar com essa situação calamitosa”, falou Felipe Corona.

Uma reportagem exibida no “Fantástico” em julho mostrou filas no mesmo local, em Cuiabá, de pessoas buscando por retalhos de carne. De acordo com a reportagem, o açougue distribui ossos uma vez por semana há dez anos. No entanto, com a crise instaurada no governo Bolsonaro, a procura passou a ser maior. O que obrigou a proprietária a entregar a proteína três vezes por semana.

“Tem gente que pega e come cru, ali mesmo”, contou a proprietária do açougue. De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumir Amplo (IPCA) de julho, o preço da carne no Brasil acumulou uma alta de 34,28% nos últimos 12 meses referentes a realização da pesquisa. Em supermercados é fácil encontrar peças de 1 kg que chegam a custar R$ 319,50.