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TENSÃO

Roberto Cabrini revela medo e perrengues durante cobertura de guerra na Ucrânia

Em entrevista, o jornalista contou diversos acontecimentos vividos em meio ao cenário de destruição ocasionado pelo conflito

Bruno PintoRepórter do EM OFF

A guerra entre Rússia e Ucrânia chegou ao seu centésimo dia. Diante de um cenário repleto de apreensão e desespero, milhares de pessoas já perderam suas vidas, enquanto outras precisam abandonar tudo o que tinham em busca de um lugar seguro para se abrigar. Em meio a esse cenário em que o medo acaba se tonando um sentimento incontrolável, diversos profissionais da imprensa foram deslocados até a região para cobrir o conflito político.

Dentre os jornalistas brasileiros enviados ao local está Roberto Cabrini. O experiente repórter investigativo acompanha bem de perto toda a tensão que toma conta da Ucrânia em meio aos ataques russos. Em entrevista ao portal Notícias da TV, Cabrini abriu o coração e revelou detalhes dos momentos vividos durante a cobertura da guerra e dos perrengues que passou diante deu cenário de muita destruição.

O jornalista disse não ter dúvidas sobre uma das coisas mais complicadas de se enfrentar em meio ao conflito que está ocorrendo e destacou também o funcionamento da internet na localidade: “É sempre difícil registrar tanta destruição e histórias de perdas e separações de famílias. Outro desafio é filtrar fatos das ações de propaganda de cada lado. A boa notícia é que a internet, até aqui, nunca deixou de funcionar bem”.

Cabrini contou que, embora seja triste, a guerra eleva a experiência de uma pessoa como profissional. O repórter fez questão de ressaltar que guerras nunca são iguais e cada uma exige algo diferente do jornalista: “[Essas coberturas] Trazem experiência no preparo logístico e psicológico, fundamentais em um trabalho como esse. Cada guerra tem, é claro, suas peculiaridades e desafios específicos”.

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O repórter investigativo da Record TV contou que, além da tensão por conta das constantes ameaças de explosões, precisou aprender a lidar com outros fatores que foram muito difíceis de serem superados, principalmente no início da cobertura: “Na Ucrânia, precisamos lidar com o frio intenso, especialmente nas primeiras semanas, além das dificuldades de locomoção e alimentação incerta em alguns momentos”.

Por fim, Roberto Cabrini destacou os sons, que embora sejam aterrorizantes para todos que estão no país, acabaram se tornando muito comuns: “Tem também as noites mal dormidas em Kiev [capital da Ucrânia], repletas de sirenes de alerta de ataques aéreos, as explosões dos mísseis, foguetes e toques de recolher que, nos períodos mais críticos, duravam até 35 horas”.

PERIGO

Em março, o jornalista Yan Boechat, correspondente da Band, revelou durante o “Brasil Urgente” que corria risco de ficar sem recursos para se proteger da guerra e, por isso, estava abandonando o local: “Fiquei um pouco tenso com a possibilidade de ficar em Kiev sem recursos, sem a possibilidade de sair, mas agora estou mais cansado. […] Estou mais cansado do que tenso, essas duas últimas semanas foram bastante intensas, me movimentando muito pelo país, e essa incerteza vai deixando a gente bastante cansado”.