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Nada a Dizer

SBT ‘passa pano’ para Bolsonaro e releva agressões a jornalistas

Ao contrário da Rede Globo, a emissora de Silvio Santos fez pouco caso e tratou o assunto como um incidente

Bruno PintoRepórter do EM OFF

As agressões sofridas pelos jornalistas das afiliadas da Rede Globo e do SBT por seguranças de Jair Bolsonaro continuam dando o que falar. Em decorrência da gravidade do caso e da grande repercussão na mídia, as emissoras tornaram público seus pontos de vista a respeito de um assunto que, infelizmente, vem tornando comum com os profissionais da imprensa que cobrem o presidente da República.

Ao contrário da emissora dos Marinho, que fez questão de cobrar uma posição do Judiciário por meio de uma nota divulgada durante o “Fantástico” e comentada no “Jornal Nacional” no dia seguinte, a emissora de Silvio Santos parece não ter visto os ataques violentos sofridos por seus funcionários na mesma intensidade que a concorrente e tratou todo o assunto como um simples “incidente”.

Com um tom completamente passivo e sem qualquer tipo de cobrança, Marcelo Torres, âncora do telejornal “SBT Brasil”, deu início ao assunto que foi divulgado em pouco mais de um minuto. Antes da exibição do vídeo apresentador disse: “Jornalistas da TV Aratu, afiliada do SBT, e da TV Bahia, afiliada da TV Globo, foram agredidos durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Itamaraju, na Bahia, neste domingo”.

Logo após a exibição do vídeo em que os profissionais da imprensa são agredidos e ameaçados por um dos seguranças de Jair Bolsonaro, a apresentadora Lívia Zaick, que estava substituindo a âncora titular do noticiário, leu o parecer do SBT: “Após o incidente, os jornalistas foram recebidos em outro local. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Cidadania, João Roma, pediram desculpa pelas agressões”.

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Sem qualquer nota de repúdio, ao menos questionando as atitudes violentas do segurança do presidente, a emissora de Silvio Santos preferiu não contrariar Jair Bolsonaro e relevar o ocorrido. Diferentemente da concorrente, a Globo não só repudiou, como foi muito além, disse que Bolsonaro deveria ser responsabilizado e ainda cobrou uma atitude do Judiciário.

Em um dos trechos da nota emitida pela Globo, Maju Coutinho disse: “As cenas bárbaras de hoje e aquelas ocorridas na Itália no dia 31 de outubro ensejam duas constatações. Se os seguranças agem por conta própria, a presidência deve ser responsabilizada por omissão. Se agem seguindo ordens superiores, a presidência deve ser responsabilizada por atentar contra a liberdade de imprensa e fomentar a violência contra jornalistas”.

“Além disso, é escandalosa a atitude da presidência de deixar jornalistas à própria sorte em meio a apoiadores fanáticos, que são insuflados quase diariamente pelo próprio presidente em sua retórica contra o trabalho da imprensa Frente aos evidentes e graves riscos enfrentados por repórteres de todos os veículos, é urgente que o Judiciário se pronuncie”, concluiu Poliana durante o “Fantástico”.